A reversão do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras indica que “a ficha caiu” para o presidente Donald Trump e seus aliados, que já percebem o desgaste e a perda de força da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no cenário político do Brasil. A avaliação é do economista e cientista político Newton Marques, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
“Eu acho que agora a ficha caiu. Até o [secretário de Estado dos EUA, Marco] Rubio, que era um aliado de primeira de primeira hora do [deputado] Eduardo Bolsonaro e do [blogueiro bolsonarista] Paulo Figueiredo, já tem outro tipo de atitude. Então deve ter chegado à conclusão, ou recebido uma ordem do presidente Trump, de que não é assim que a banda toca”, observou.
Marques ironizou ainda o efeito político da ofensiva liderada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no exterior. “O governo Lula tem que agradecer ao deputado Eduardo Bolsonaro porque ele estava com baixa popularidade. De repente, a popularidade dele começou a aumentar graças a essas atitudes nefastas”, declarou.
Segundo o cientista político, a decisão de Trump, que retirou integralmente sobretaxas sobre carne, café e outros produtos, resulta de um conjunto de pressões internas nos EUA, especialmente diante da inflação e da pressão de consumidores. “É um misto [de motivações]. A pressão dos importadores nos EUA, consumidores, associações de consumidores, a inflação, o custo de vida subindo nos EUA, juntando com as negociações que o Brasil está tendo, acabam provocando resultados”, explicou.
Para ele, o tabuleiro geopolítico também pesou na decisão. “Não podemos também subestimar que os Estados Unidos têm muito interesse em outras coisas: terras raras, outros tipos de negociação aqui no Brasil, na América Latina. Isso é um jogo de xadrez”, avaliou.
Além da retirada das taxas, Marques considera viável o objetivo anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reverter sanções impostas pelos EUA contra autoridades brasileiras, com base na Lei Magnitsky. Ele atribui a origem dessas punições a pressões da extrema direita brasileira no país norte-americano.
“A água da fervura que estava bem elevada agora está arrefecendo. Não houve nenhum recuo por parte do Brasil. Não existe, do ponto de vista econômico, nenhum sentido de criar dificuldade e aplicar essa Lei Magnitsky. E não teve nenhum tipo de eficácia”, apontou.
Messias no STF: Lula mira 2026 e valoriza lealdade
Marques também comentou a indicação do advogado-geral da União Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na sua análise, a escolha tem relação direta com a estratégia eleitoral do presidente. “O presidente Lula é um grande estrategista. Ele está olhando para as eleições de 2026. É claro que muitos gostariam que fosse uma mulher negra, mas tem que olhar para 2026 e talvez ele chegou à conclusão que a melhor escolha seria o AGU”, afirmou.
Segundo ele, a lealdade também pesa, ao avaliar as indicações anteriores do presidente ao STF. “[Flávio] Dino e [Cristiano] Zanin foram duas pessoas muito leais a ele, e Messias também. Talvez isso tenha sido decisivo”, indicou.
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