Crime

Bolsonaro violou tornozeleira eletrônica para garantir fuga, diz Moraes na decisão que mandou prender o ex-presidente

Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22)

O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso na PF, em Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso na PF, em Brasília | Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Jair Bolsonaro (PL) tentou romper a tornozeleira eletrônica no início da madrugada deste sábado (22), de acordo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou prender preventivamente o ex-presidente.

“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta SUPREMA CORTE a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, às 0h08min do dia 22/11/2025”, diz um trecho da decisão. Segundo o ministro, a tentativa de violar a tornozeleira confirma “a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”.

A decisão cita ainda a viagem do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que está nos Estados Unidos. O parlamentar, que também foi condenado por tentativa de golpe de Estado, teria se deslocado do Rio de Janeiro para Boa Vista, partindo posteriormente para os EUA em setembro. De acordo com informações do site PlatôBR publicada nesta semana, Ramagem está residindo em um condomínio de alto padrão em North Miami.

Além de Ramagem, Moraes citou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que também está nos EUA, e de Carla Zambelli (PL-SP), na Itália, que “também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal”. O filho do ex-presidente é investigado por tentar obstruir o julgamento da trama golpista com a ajuda do presidente Donald Trump. Já Zambelli, por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para inserir pedidos de prisão falsos.

O ministro também afirmou que a decisão pela prisão foi motivada por um vídeo publicado nas redes sociais na noite desta sexta-feira (21) pelo senador Flávio Bolsonaro no qual convoca os apoiadores do ex-presidente para uma “vigília pela saúde de Bolsonaro e pela liberdade do Brasil”. “Vamos invocar o Senhor dos Exércitos! A oração é a verdadeira armadura do cristão. É por meio dela que vamos vencer as injustiças, as lutas e todas as perseguições. Tenho um convite especial para você: assista ao vídeo até o final!”, convocou o filho mais velho do ex-presidente para um ato que seria realizado neste sábado (22).

Para Moraes, “o vídeo gravado por Flávio Bolsonaro incita o desrespeito ao texto constitucional, à decisão judicial e às próprias Instituições, demonstrando que não há limites da organização criminosa na tentativa de causar caos social e conflitos no País, em total desrespeito à DEMOCRACIA”.

Relembre o caso

Considerado líder da trama golpista que tentou romper o Estado democrático de direito em 8 de janeiro de 2023, o caso contra Bolsonaro na Justiça data de anos antes, pelo menos, desde 2021.

Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o dia 8 de março de 2021, quando o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retoma seus direitos políticos, após a anulação dos processos da Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal, foi o marco de uma série de ataques do então presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral brasileiro.

A PGR destaca que, em meados de 2021, o Bolsonaro realizou uma transmissão ao vivo na residência presidencial, onde colocou em dúvida a segurança do sistema eletrônico de votação. Para a acusação, essa live sinalizou o começo de uma campanha para desqualificar a Justiça Eleitoral.

Naquele mesmo ano, durante as celebrações do 7 de setembro, o então presidente da República chegou a declarar publicamente que não acataria decisões emanadas da Suprema Corte.

Em 5 de julho de 2022, a atuação do governo contra as instituições ganhou um novo capítulo com a realização de um encontro ministerial focado no debate eleitoral. O registro audiovisual dessa reunião foi posteriormente recuperado no equipamento de um auxiliar próximo ao ex-presidente.

Durante o segundo turno das eleições presidenciais, em outubro de 2022, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) conduziu operações em áreas onde o candidato Lula obteve votação expressiva no primeiro turno. À época, o TSE convocou o então diretor-geral da PF, Silvinei Vasques, e ordenou o fim dos bloqueios. Embora a Justiça Eleitoral tenha assegurado que ninguém foi impedido de votar, as ações geraram fortes críticas e foram alvo de apurações.

No final de 2022, a Polícia Federal identificou um projeto chamado “Punhal Verde e Amarelo”. Atribuído ao general Mário Fernandes, o documento continha propostas drásticas, como a anulação do resultado eleitoral, a prisão de oponentes e até planos de assassinato de autoridades eleitas e do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes.

A crise atingiu seu ponto máximo em 8 de janeiro de 2023, com a invasão e destruição das sedes dos Três Poderes em Brasília. Mais de 1.500 pessoas foram detidas nos dias seguintes, acusadas de crimes como dano ao patrimônio público e tentativa de abolição do Estado Democrático.

Editado por: Lucas Estanislau

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