Trama golpista

Com fim dos recursos, pena definitiva de Bolsonaro deve ser cumprida na próxima semana, diz jurista

Para Leonardo Drigo, STF agiu dentro de parâmetros legais diante da instabilidade provocada por aliados do ex-presidente

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Ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar trama golpista
Ex-presidente Jair Bolsonaro | Crédito: Reprodução

A prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL), decretada neste sábado (22), deve acelerar os trâmites para o início do cumprimento definitivo da pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe, avalia o jurista e doutor em teoria geral do direito pela Universidade de São Paulo (USP), Leonardo Drigo. Ele afirmou que não deve haver novos recursos possíveis para a defesa, permitindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) finalize o processo já “nos próximos dias, pela próxima semana”.

Segundo Drigo, embora a detenção deste sábado (22) seja uma medida cautelar, ela se soma aos indícios de risco de fuga e fortalece a necessidade de celeridade na execução da pena. “Definitivamente me parece que não vai caber mais algum recurso pra defesa. A tendência é que se inicie o cumprimento definitivo da pena imediatamente, pelos próximos dias, pela próxima semana”, projetou, em entrevista à edição especial do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Ele explica que, “por mais que a prisão preventiva esteja ancorada na lei, em decisão judicial extremamente bem fundamentada, é importante que se dê início a esse cumprimento definitivo da pena“. Segundo ele, a prisão formal de Bolsonaro será o encerramento de um “processo penal que teve o seu caminho, a sua tramitação regular“. “Essa aplicação da pena nada mais é do que a efetivação da democracia no Brasil via poder judiciário“, indicou.

Contra a narrativa que a extrema direita tenta emplacar, o jurista nega qualquer indício de ilegalidade em relação à decisão. “Estão sendo garantidos a esses réus [da trama golpista], inclusive a Jair Bolsonaro, aqueles direitos humanos que essas pessoas negaram durante todo o tempo em que eles estiveram no poder”, rebateu.

Prisão preventiva é fundamentada

Ele explicou que a prisão preventiva está prevista no Código de Processo Penal e foi embasada pela tentativa de ruptura da tornozeleira eletrônica, pelo chamado à vigília feito pelo filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo histórico de fugas de aliados, como o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) e a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). “Não me parece que seja impugnável essa medida”, disse.

O jurista avaliou que a Polícia Federal (PF) e o STF devem intensificar a fiscalização de outros réus do julgamento da tentativa de golpe de Estado. Com exceção de Bolsonaro, os demais condenados estão respondendo ao processo em liberdade. “É muito importante agora a fiscalização desses réus para evitar justamente essa possibilidade de fuga em massa”, alertou.

Questionado sobre comparações entre a vigília bolsonarista e o acampamento organizado após a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Drigo acredita que, “juridicamente, não seja um paralelo possível.” Ele destacou que Lula já estava preso quando a vigília foi organizada em um local autorizado e sem risco processual. Já no caso atual, “poderia gerar realmente uma desordem social muito grande, uma tentativa de fuga amparada por um grupo de vigilantes”.

Preventiva agrava situação do ex-presidente

O jurista também afirmou que a medida cautelar torna mais difícil qualquer alegação futura de Bolsonaro sobre uma saúde fragilizada para tentar cumprir a pena em casa. “Ele vai precisar comprovar um prejuízo efetivo à saúde com essa medida cautelar. Não basta você simplesmente dizer que o soluço é irremediável”, disse. “Uma medida cautelar desse tipo pode, sim, atrapalhar bastante depois a situação dele no cumprimento definitivo da pena”, acrescentou.

Drigo confirmou que o ex-presidente tem direito a uma “sala especial”, mas que a execução depende de critérios como segurança, saúde e repercussão social. “Esse caso, por ser emblemático, inclusive em termos políticos, leva o judiciário a pensar em condições ditas especiais para o recolhimento da prisão. É um direito garantido que vai ser ponderado, como já está sendo pelo STF”, explicou.

Para além da tentativa de golpe, ele lembrou que Bolsonaro pode responder por uma série de irregularidades: má gestão durante a pandemia de Covid-19, corrupção no caso das joias joias, além de questões de relações internacionais e administrativas. “Existem outros fatos que podem gerar responsabilização. Ele pode perder direitos políticos, ser condenado a indenizações”, afirmou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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