MODA

Moda sustentável e saberes da terra ocupam o Bairro do Recife neste sábado (22)

Projeto resgata saberes sobre o uso de plantas no tingimento de tecidos e incentiva marcas a reduzirem impacto ambiental

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Oficina de moda sustentável
Oficina de moda sustentável | Crédito: Erlânia Nascimento / Divulgação

A moda produzida a partir da terra, das plantas e dos conhecimentos ancestrais ocupa o Bairro do Recife neste sábado (22), das 13 horas às 20 horas, na 1ª Mostra de Moda, Sustentabilidade e Tecnologia. Encerrando a 2ª edição do projeto Cor de Flora, o evento reúne exposição, palestras e rodas de conversa no Centro de Promoção dos Direitos da Mulher Marta Almeida, com criações feitas a partir de espécies nativas da flora pernambucana e com foco no protagonismo de mulheres negras na construção de uma moda sustentável e politicamente engajada.

A mostra apresenta trabalhos desenvolvidos nos meses de setembro e outubro e traz a moda como ferramenta de ação climática, em sintonia com os debates da COP-30. O Cor de Flora aposta na revisão de sistemas produtivos diante da crise ambiental e insere a criação em um contexto que une inovação, tecnologia social e práticas tradicionais que preservam a biodiversidade.

Idealizado por Kamila Nascimento, o projeto resgata saberes tradicionais sobre o uso de plantas no tingimento de tecidos e incentiva marcas de slow fashion a adotarem processos de menor impacto ambiental. Além disso, capacita grupos culturais do Recife para fortalecer autonomia criativa a partir de técnicas ecológicas.

A exposição reúne quatro peças inspiradas em manifestações culturais de Pernambuco: maracatu, ciranda, afoxé e caboclinho, e tingidas com pigmentos extraídos de casca de cebola, cragiru, eucalipto, cúrcuma e urucum, além de folhas, sementes e cascas variadas.

Cada pigmento carrega uma história: a casca de cebola remete às práticas domésticas tradicionais; o cragiru produz tons vermelhos comercializados há gerações por comunidades rurais; o eucalipto evoca a medicina popular; a cúrcuma, reconhecida como raiz de cura, resulta em amarelos intensos; e o urucum, símbolo indígena de resistência e espiritualidade, traz tonalidades profundas.

Integrando a agenda de ativismo das Mães da Consciência Negra, o evento reforça o papel das mulheres negras, periféricas e de territórios vulnerabilizado na luta antirracista e na elaboração de uma estética comprometida com o cuidado ambiental. Essa identidade percorre toda a programação, que também inclui apresentações culturais de grupos afro-brasileiros.

A programação formativa tem início com a palestra de Germana Souza, que discute estratégias para transformar conceitos em identidade de marca no slow fashion, alinhando responsabilidade socioambiental, território e propósito. Em seguida, o pesquisador Fernando Simões aborda tecnologias aplicadas ao reaproveitamento têxtil e ferramentas de mapeamento que auxiliam na redução de resíduos e no fortalecimento de práticas sustentáveis.

A roda de conversa Novas perspectivas para a cena da moda no Recife reúne a realizadora audiovisual Erlania Nascimento, a estilista afro-autora Jéssica Zarina e a designer Morgana Oliveira, que debatem desafios, oportunidades e caminhos criativos em tempos de emergência climática.

As apresentações dos grupos Edùn Àrá Xangô, Grupo Obirin e Semente de Maracá reforçam a relação entre corpo, território e espiritualidade, princípios que orientam toda a proposta do Cor de Flora, iniciativa incentivada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB-Recife), com apoio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife e da Secretaria da Mulher.

Editado por: Rostand Tiago

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