O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “todo mundo sabe” o que Jair Bolsonaro fez para estar preso. Ele foi transferido para a sede da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após ter violado a tornozeleira eletrônica como parte de um plano para garantir a fuga da prisão domiciliar, segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“A Justiça tomou uma decisão. Ele foi julgado. Ele teve todo direito à presunção de inocência. Foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento”, disse Lula sobre o julgamento dos réus na trama golpista.
“Então, a justiça decidiu, está decidido. Ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou. E todo mundo sabe o que ele fez”, acrescentou.
A declaração do presidente ocorreu neste domingo (23) durante coletiva de imprensa após a última sessão da Cúpula de Chefes de Estado do G20, em Joanesburgo, na África do Sul. O bloco reúne as 19 maiores economias do mundo.
Perguntado sobre a fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que é uma pena a prisão, Lula disse que “não tem nada a ver”.
O republicano usou o julgamento contra Bolsonaro para pressionar o governo brasileiro com o tarifaço. No entanto, com o avanço das negociações, o governo estadunidense anunciou a retirada da tarifa extra na semana passada.
“O Trump tem que saber que nós somos um país soberano, que a nossa Justiça decide. E o que está decidido aqui está decidido”, declarou o presidente brasileiro.
Lula desembarcou em Joanesburgo na última sexta-feira (21) para a reunião do principal órgão para cooperação econômica internacional. Ele cumpre agendas bilaterais e segue para Maputo, capital de Moçambique, ainda neste domingo (23), para as comemorações de 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países.
Minerais críticos
A presidência sul-africana do G20 prevê publicar um texto sobre os chamados minerais críticos, estratégicos para setores como defesa, tecnologia e transição energética. Em seu discurso para os líderes do bloco, Lula defendeu os interesses dos países em desenvolvimento que detêm esses recursos.
“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica. O que está em jogo não é apenas quem detêm esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse.

O Brasil possui cerca de 10% das reservas mundiais desses elementos, de acordo com o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram). Lula lembrou que o Brasil criou o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para planejar políticas de exploração mineral e afirmou que o país não será apenas exportador, e sim parceiro na cadeia global de valor desses elementos.
Tecnologia e direitos trabalhistas
Na última sessão da Cúpula, Lula retomou temas presentes na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste final de semana. Ao abordar inteligência artificial (IA), o presidente disse que o desafio é “utilizá-la de forma segura, protegida e confiável”.
“Quando poucos controlam os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital. É urgente que as maiores economias do mundo aprofundem o debate sobre a governança da IA e que as Nações Unidas sejam o centro dessa discussão”, acrescentou.
O presidente também defendeu as oportunidades atreladas ao desenvolvimento tecnológico, e a inclusão digital necessária para isso de fato acontecer. Por fim, alertou para a proteção dos trabalhadores em funções altamente expostas à automação.
“Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social”, disse. “Devemos criar pontes entre os setores tradicionais e emergentes. A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar os direitos humanos e trabalhistas”, afirmou aos líderes do G20.
*Com informações da Agência Brasil
