O Hezbollah confirmou a morte do líder do estado-maior do grupo, Haytham Tabtabai, em ataque israelense ocorrido no último domingo (23) em Beirute. A agressão israelense matou cinco pessoas em um prédio residencial na capital do Líbano.
Tabtabai é o comandante de mais alta patente do Hezbollah morto por Israel desde o começo do cessar-fogo de novembro de 2024, cujo objetivo supostamente seria encerrar mais de um ano de hostilidades entre os dois países. Mas militares israelenses vêm intensificando os ataques nos redutos do Hezbollah no sul e leste do Líbano, onde dizem ter como alvo o movimento xiita, que acusa de violar o cessar-fogo ao se rearmar e reativar sua infraestrutura.
Autoridades libanesas acusam Israel de violar o acordo de cessar-fogo firmado sob a mediação dos Estados Unidos ao continuar atacando seu território e ocupando cinco pontos estratégicos no sul do país. O Ministério da Saúde do Líbano informou que o ataque deixou 5 mortos e 28 feridos.
A ofensiva ocorreu na área de Haret Hreik, no subúrbio do sul de Beirute, uma região densamente povoada controlada pelo Hezbollah.
O ataque foi o quinto contra esse reduto do Hezbollah na capital libanesa desde o cessar-fogo acordado entre Israel e o movimento islamista em novembro de 2024, e ocorreu uma semana antes da visita do papa Leão 14 ao Líbano.
“O equilíbrio de poder entre os lados é diferente do que era há mais de um ano. [o líder do grupo] Hassan Nasrallah e a maior parte da liderança militar do Hezbollah já faleceram, os estoques de foguetes da organização diminuíram e seu espírito de luta aparentemente também não é o mesmo de antes”, disse o analista político Amos Harel no jornal israelense Haaretz.
“O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu provavelmente não teria decidido correr esse risco sem o apoio total do presidente dos EUA, Donald Trump. Os americanos têm feito grandes esforços para persuadir ambos os lados a avançarem com um plano para uma nova realidade no Líbano; talvez, se o processo diplomático de fato saiu dos trilhos, eles tenham pensado que um exemplo letal da seriedade das intenções de Israel fosse necessário.”
O analista diz que “os acontecimentos de domingo no Líbano também estão ligados ao que está acontecendo em outras frentes. Na Síria, o governo Trump está tentando promover um acordo de normalização com Israel, mas encontrou objeções de Netanyahu”.
No entanto, o Exército israelense afirmou que segue “comprometido” com o cessar-fogo. Em frente ao prédio atingido, o líder do Hezbollah Mahmud Qomati declarou que o ataque “cruza uma nova linha vermelha”.
O presidente libanês, Joseph Aoun, pediu à comunidade internacional que “intervenha de maneira séria e firme para pôr fim aos ataques de Israel contra o Líbano”.
