A quarta Consulta Popular de 2025 na Venezuela teve um simbolismo diferente das anteriores, de acordo com moradores das comunidades que participaram da votação. Willmar Rondón, uma liderança da juventude da comuna de San Agustín, na região central de Caracas, diz que, em meio à crescente ameaça dos Estados Unidos, o ato de sair de casa para votar é, também, uma forma de mostrar que os venezuelanos continuam vivendo suas vidas.
“Nós, venezuelanos, temos uma forma de viver e de enfrentar todas as situações que estamos vivendo. Apesar do bloqueio que existe contra o nosso país, todos os jovens, todos os adultos vivemos organizados fazendo assembleias. Esta é uma prova disso: a Consulta Popular que está sendo realizada hoje, 23 de novembro”, diz.
Para Gilda Hernandes, outra liderança do bairro, a votação do último domingo (23) foi uma mostra do apoio da população a Nicolás Maduro. “Temos que continuar o legado de Hugo Chávez. Por isso, o presidente Nicolás Maduro tem que receber o apoio de nós, venezuelanos. Não vai ser fácil para os Estados Unidos entrarem aqui.”
O presidente Nicolás Maduro publicou uma mensagem na segunda-feira (24) dizendo que as eleições registraram um recorde de participações. O total de votantes, no entanto, não foi divulgado. Mais de 5 mil circuitos comunais participaram da eleição e puderam escolher entre mais de 36 mil projetos foram postulados.
Entre as lideranças locais, é consenso que o número de eleitores vem crescendo, mesmo diante de tantos processos eleitorais e consultas a que são submetidos os venezuelanos.
Em linhas gerais, a Consulta Popular é um mecanismo que permite aos moradores escolherem quais projetos de infraestrutura querem ver implementados em seus bairros. A partir da decisão em assembleia, cada comuna escolhe sete projetos que são colocados em votação. Os dois mais votados recebem US$ 10 mil cada, para que possam ser executados.
Algumas mudanças são, de fato, palpáveis. Uma escola do bairro que abrigava uma das 9 mil mesas de votação, por exemplo, foi beneficiada por uma reforma levada adiante após uma consulta popular – o teto recebeu obras de impermeabilização e os problemas de infiltração foram resolvidos.
Ocorre que nem sempre o orçamento cobre todos os custos. Por isso, em mais de uma eleição, os moradores da comuna Aleida Hernández votaram pela revitalização das casas dos moradores do bairro. E aqueles com menor poder aquisitivo tiveram prioridade.
“Desde o dia 2 de abril do ano passado, quando foi implementada a primeira consulta, foram beneficiadas, pelo menos nesta comuna, Aleida Hernández, cerca de quase 500 moradias. A própria comunidade decide quem vai executar seu projeto e como vão executá-lo”, diz Robert Contrera, um morador da região.
Para Juan Carlos Galindo, liderança do PSUV em San Agustín, o que explica a presença do eleitorado nas Consultas Populares, mesmo diante de ameaças de guerra, são os resultados obtidos nas votações anteriores.
“Fomos aumentando a participação em cada uma das consultas. Inicialmente, não se tinha muita fé, mas ao ver todos os projetos e tudo o que temos alcançado nos territórios, fomos aumentando paulatinamente e já alcançando o mesmo número que temos em uma eleição presidencial, em uma eleição municipal ou legislativa”, diz Galindo.
