Um menino de 12 anos foi atingido na perna e três pessoas morreram durante uma operação policial no conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro (RJ), no final da manhã desta quarta-feira (26). O estudante estava no pátio da Ciep Hélio Smidt, que fica ao lado do 22° BPM (Maré), participando de uma atividade de ciências quando foi atingido. A unidade escolar fica na Vila do João, uma das 15 favelas que formam o bairro da Maré.
Um helicóptero da Polícia Civil do RJ pousou em área do campus do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e um prédio da instituição foi atingido por um tiro. A Polícia Militar também participou da ação.
Segundo testemunhas, a operação provocou intensa troca de tiros, causando o fechamento de quatro unidades de saúde e a suspensão de aulas. A linha amarela, na avenida Brasil, chegou a ter o trânsito bloqueado.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) acompanha o caso e informou que vai oficiar autoridades sobre o que considera “um cenário inaceitável”.
“Uma criança baleada dentro da escola, unidades de saúde fechadas, aulas suspensas na UFRJ, helicóptero pousando no Fundão, Fiocruz em alerta e moradores fugindo na contramão: esse não é um cenário aceitável em um estado que busca segurança. Esses impactos mostram que quem sofre não são facções, mas trabalhadores, estudantes e, principalmente, nossas crianças. O Estado precisa de inteligência, estratégia e controle que preservem vidas em todas as operações, sobretudo nas chamadas ações especiais”, disse a deputada Dani Monteiro (Psol), presidenta da CDDHC.
A vereadora Mônica Benício (Psol) usou as redes sociais para repudiar a ação e criticar o governo Cláudio Castro (PL). “Maré vive uma manhã de caos patrocinada por Cláudio Castro. Uma criança foi baleada dentro da escola. Profissionais da saúde relatam ter suas atividades interrompidas. Linha amarela parada. Medo dentro da favela e ao seu redor”, escreveu no X. No Instagram, Benício divulgou a informação da página de moradores Maré Vive de que uma das vítimas, morta dentro de uma kombi, seria vendedor de laticínios.
Operações como a desta quarta-feira geram impacto para todos os moradores, porque acarretam interrupção de serviços básicos, entre eles saúde e educação. Segundo a Redes da Maré, no ano passado, estudantes da Maré ficaram mais de um mês sem aulas, no acumulado do ano, que teve 42 operações policiais, com 20 mortes. As ações geraram o fechamento de unidades escolares 37 dias em 2024.
Ao G1, a Polícia Civil informou que agentes da Subsecretaria de Inteligência e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) identificaram a movimentação de traficantes fortemente armados que se preparavam para invadir uma comunidade rival. Há presença das duas facções nas comunidades da Maré: Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP). O local onde houve o suposto confronto é área de presença do TCP.
O garoto ferido está fora de perigo, segundo a Secretaria Municipal de Educação, e ainda não há confirmação da identidade das três pessoas mortas.
