Tragédia

Aumenta número de mortes por incêndio em Hong Kong; executivos responsáveis pela reforma são detidos

São 128 mortos e 200 desaparecidos; presidente chinês ordena apoio ao governo da região administrativa

Bombeiros trabalham após um grande incêndio ter atingido vários blocos de apartamentos no conjunto residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, em Hong Kong - 27 de novembro de 2025.
Bombeiros trabalham após um grande incêndio ter atingido vários blocos de apartamentos no conjunto residencial em Hong Kong | Crédito: Dale de La Rey / AFP

O número de mortos no incêndio que atingiu o complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, em Hong Kong, subiu para 128 pessoas, incluindo um bombeiro, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (27). O fogo começou na tarde de quarta-feira (26) e continua sendo combatido pelas equipes de resgate, com trabalho de busca em larga escala ainda em andamento. Segundo as autoridades, ainda há 200 pessoas desaparecidas enquanto as operações de busca e resgate continuam.

Além das vítimas fatais, 79 pessoas ficaram feridas, incluindo 11 bombeiros. Cerca de 50 chamados de ajuda aos serviços de bombeiros ainda não foram resolvidos, enquanto as operações de resgate conseguiram evacuar uma mulher, um idoso e animais de estimação. As chamas em todos os blocos foram controladas, embora três edifícios ainda apresentem focos de incêndio nos andares superiores de suas estruturas de 31 andares.

O complexo Wang Fuk Court é composto por oito edifícios residenciais que vinham passando por reformas desde julho de 2024, todos cobertos por andaimes de bambu e malhas verdes. Segundo investigação preliminar, as autoridades descobriram isopor altamente inflamável revestindo janelas de elevadores em todos os andares, material que causou a rápida propagação do fogo dentro dos blocos e a ignição de apartamentos através dos corredores. A malha de rede e o revestimento usados no exterior dos edifícios também não atendiam aos padrões de segurança contra incêndio, segundo informaram as autoridades na noite de quarta-feira (26).

Prisão dos responsáveis

Três homens – dois diretores e um consultor da construtora responsável pela reforma dos edifícios – foram presos por suspeita de homicídio culposo. Eles seriam os responsáveis pelo uso de materiais não adequados nas redes de andaimes e selaram janelas com isopor.

A primeira alerta sobre o incêndio foi às 14h51 de quarta-feira e logo se transformou em um incêndio de grandes proporções, com enormes colunas de fumaça escura subindo alto ao céu, e as chamas se espalhando rapidamente para sete dos oito blocos do complexo. “Imagens iniciais mostraram andaimes de bambu do lado de fora de vários apartamentos rapidamente explodindo em chamas em espiral, antes de serem completamente engolidos por múltiplas colunas altíssimas de fogo”, relatou o South China Morning Post, jornal de Hong Kong.

O chefe do Executivo da Região Administrativa Especial (RAE) de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, ordenou inspeções em todos os conjuntos habitacionais públicos que estão passando por grandes reformas. Também está sendo realizada uma investigação criminal sobre o incêndio mais fatal da cidade em décadas.

Além da investigação criminal, autoridades anticorrupção lançaram um inquérito sobre os trabalhos de reparo que tinham um custo de 330 milhões de dólares de Hong Kong (mais de R$ 226 milhões). A polícia está realizando buscas nas instalações da empresa de gestão que administra o complexo.

O Departamento de Serviços de Bombeiros mobilizou mais de 304 veículos de combate a incêndio e resgate, além de utilizar drones para monitorar os níveis de calor e prevenir a nova ignição das chamas. “Para extinguir o incêndio e resgatar residentes presos, o Departamento de Serviços de Bombeiros mobilizou mais de 140 caminhões de bombeiros e mais de 60 ambulâncias. Mais de 800 bombeiros e paramédicos foram mobilizados”, disse Lee em coletiva de imprensa, segundo a Televisão Central da China.

O distrito de Tai Po estabeleceu oito abrigos temporários para acomodar os residentes evacuados, onde quase 200 pessoas foram mobilizadas para fornecer todo o apoio necessário aos afetados pelo fogo. Moradores de Hong Kong têm enviado suprimentos aos abrigos, muitos também se voluntariando para ajudar no registro das pessoas afetadas e na distribuição de suprimentos de emergência.

Sob orientação do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, foi criada uma força-tarefa de emergência para fornecer o apoio necessário ao governo da RAE de Hong Kong.

O presidente chinês Xi Jinping enviou condolências na quarta-feira à noite após o incêndio mortal. Xi pediu “esforços totais” para minimizar as baixas e perdas. Xi instruiu o Escritório de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comitê Central do Partido Comunista da China e o Escritório de Ligação do Governo Popular Central em Hong Kong a apoiarem o governo da RAE de Hong Kong em todos os esforços para apagar o fogo, fazer tudo o que for possível nas operações de busca e resgate, tratar os feridos e confortar as famílias das vítimas.

Editado por: Luís Indriunas

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