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Porto Alegre reconhece Parada Livre como Patrimônio Cultural Imaterial

Projeto da vereadora Natasha Ferreira (PT) reforça importância histórica e política da manifestação LGBTI+

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A 28ª edição acontece no dia 7 de dezembro, a partir das 11h, no Parque da Redenção
A 28ª edição acontece no dia 7 de dezembro, a partir das 11h, no Parque da Redenção | Crédito: Fabiana Reinholz

A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, por unanimidade, nesta quarta-feira (26), o projeto de lei da vereadora Natasha Ferreira (PT) que declara a Parada Livre como Patrimônio Cultural Imaterial do Município. Realizada desde 1997, a Parada é uma das maiores e mais antigas manifestações LGBTI+ do Brasil, reunindo milhares de pessoas todos os anos no Parque Farroupilha (Redenção).

Criada pelo Nuances – Grupo Pela Livre Expressão Sexual, a Parada surgiu inspirada na luta por direitos humanos que marca a história do movimento LGBTI+ no mundo, especialmente após a Revolta de Stonewall (1969). Hoje, sua organização é coletiva e envolve mais de 15 entidades e movimentos sociais.

Para a vereadora, o reconhecimento institucional consolida um símbolo afetivo e político da cidade. “Eu sou uma travesti que cresceu na Região Metropolitana de Porto Alegre, então sempre tive a Parada Livre como uma referência de celebração e de luta. Mas esse não é um sentimento individual, porque a nossa Parada de fato é uma das primeiras do país e inspirou muitas outras que surgiram depois”, afirmou ao Brasil de Fato RS.

Ferreira destacou também o papel cultural e econômico do evento. “Aqui em Porto Alegre, a Parada é um símbolo de cultura, que traz música, arte drag e diversos espetáculos gratuitos pra nossa cidade, movimentando inclusive a nossa economia local. Tornar a Parada um patrimônio é reconhecer esse peso histórico e garantir que ela siga fazendo parte do futuro da cidade por muitas gerações”, disse.

Segundo a parlamentar, o reconhecimento também reafirma a Parada como um marco de resistência. “Há quase 30 anos, esse evento é um símbolo de orgulho e resistência. Torná-lo patrimônio imaterial garante que essa história de luta seja preservada e valorizada pelas próximas gerações.”

O projeto aponta ainda o impacto econômico e turístico da Parada Livre, que movimenta comércio e serviços especialmente nos bairros Bom Fim e Cidade Baixa. Além disso, reforça o caráter artístico e pedagógico do evento, que reúne performances, shows e ações de conscientização contra a discriminação.

“Significado vai muito além da população LGBTI+”, afirma fundador da Parada

Um dos fundadores da Parada Livre de Porto Alegre, Célio Golin, integrante do Nuances, destacou o significado histórico e político do reconhecimento. Ele lembrou que o grupo iniciou a construção da Parada em 1997 e que, desde então, o evento se tornou uma referência na cultura e na história da cidade.

“A Parada Livre se torna patrimônio cultural imaterial de Porto Alegre. Isso é muito importante, tem um significado para nós do Nuances, que em 1997 iniciamos esse processo de construção desse evento que hoje já é uma referência consolidada na cultura e na história política da cidade”, afirmou.

Golin enfatiza o caráter simbólico da ocupação da Redenção por pessoas LGBTI+. “Essas pessoas, corpos e gêneros dissidentes ocupam o espaço público como a Redenção, com todo o significado que tem para a cidade esse espaço, e aí mostram, rompem com as barreiras e constroem uma identidade coletiva fundamental”, explicou.

Ele também relaciona a Parada ao fortalecimento da democracia. Segundo Golin, quando pessoas historicamente marginalizadas ocupam a cidade com legitimidade, toda a sociedade se transforma. “Outra questão para a gente pensar é como se dá a democracia na sociedade. Essas pessoas que sempre viveram na margem, ocupando um espaço com legitimidade, faz com que a cidade se torne mais democrática e reconheça que ela não é singular, que ela é múltipla e que tem vários agentes políticos que fazem e constroem essa cidade.”

Para o fundador, tornar a Parada Livre um patrimônio cultural imaterial ultrapassa o reconhecimento da comunidade LGBTI+ e alcança a própria ideia de cidade democrática. “Ao se tornar um patrimônio cultural imaterial, a Parada Livre tem esse reconhecimento que vai muito além da população LGBTI+. O significado é muito importante e fundamental e nós só temos a comemorar mais essa conquista da Parada Livre.”

Com a aprovação, a Parada Livre passa a integrar oficialmente o conjunto de manifestações protegidas como patrimônio imaterial de Porto Alegre. O projeto segue agora para sanção do prefeito.

A 28ª edição acontece no dia 7 de dezembro, a partir das 11h, no Parque da Redenção.

* Com informações da assessoria de imprensa da vereadora Natasha Ferreira

Editado por: Katia Marko

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