Na véspera do Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, celebrado neste sábado (29), a integrante da Frente Palestina São Paulo, Soraya Misleh, ressaltou a urgência da data diante do avanço da violência e da crise humanitária na região. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ela lembrou que 29 de novembro marca a aprovação da resolução 181 da Organização das Nações Unidas (ONU), que recomendou a partilha da Palestina em 1947.
Misleh destacou que a decisão “delegou a um projeto colonial sionista mais a metade daquelas terras, sem consulta aos habitantes nativos”. Ela afirmou que a medida permitiu, mais tarde, expulsões em massa. “O meu pai, aos 13 anos de idade, junto com a minha família, é parte dos 800 mil [palestinos] que foram expulsos violentamente naquele processo”, disse.
Para a militante, a resolução representou “um sinal verde, de fato, para essa limpeza étnica. E essa injustiça nunca parou.” Misleh criticou também o chamado plano de paz recentemente defendido por potências ocidentais. “Eu tenho dito que não passa de paz dos cemitérios, o genocídio nunca parou”, declarou.
A ativista afirmou que o cessar-fogo apresentado como uma solução diplomática é “um disfarce para o genocídio”. “Desde o cessar-fogo, 10 de outubro até agora, já foram mais de 530 violações por parte de Israel, mais de 350 palestinos assassinados em Gaza”, apontou. “Não teve um único dia em que Israel não matou em Gaza”, lamentou.
Segundo Misleh, o cenário atual configura “um holocausto palestino”, que já teria deixado “70 mil palestinos assassinados”, podendo chegar a dez vezes mais ao considerar mortes indiretas. “A resistência palestina não é uma escolha, é resistência sob constante ameaça de apagamento do mapa”, concluiu.
Dez capitais brasileiras realizarão atos em repúdio ao genocídio em Gaza neste sábado. Em São Paulo, a marcha ocorrerá a partir das 14h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). O movimento tem como objetivo reforçar a campanha internacional Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel (BDS).
“Que avancemos nessa luta para garantir que o Brasil imponha sanções a Israel, rompendo todas as relações econômicas, militares e diplomáticas”, defendeu. Para Misleh, essa é uma luta global. “Vamos juntos entendendo que essa luta é nossa para que todos e todas nós sejamos livres”, convocou.
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