O início da apuração das eleições presidenciais de 30 de novembro de 2025 em Honduras foi marcado por uma denúncia de fraude que antecedeu a divulgação oficial dos resultados.
O Partido Liberdade e Refundação (Libre), encabeçado pela candidata Rixi Moncada e apoiado pela presidente Xiomara Castro, acusou publicamente uma “invasão” no sistema de votos antes mesmo que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pudesse anunciar qualquer dado. O candidato presidencial conservador Nasry Asfura, que tem o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está liderando a contagem inicial dos votos nas eleições gerais realizadas nesse domingo (30) em Honduras.
O cerne da denúncia é a suposta sabotagem do Sistema de Transmissão de Resultados Preliminares (Trep). Moncada e Castro não esperaram a contagem avançar, elas se posicionaram antecipadamente, denunciando um plano de sabotagem e uma “guerra psicológica” com o objetivo de manipular a vontade popular.
Segundo o Libre, a intenção seria criar uma “mão invisível” para impedir a transmissão dos votos de municípios onde o Libre possui forte base eleitoral, permitindo que outro partido declare vitória prematuramente.
Resultados iniciais sob suspeita
Apesar das alegações de sabotagem, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) divulgou seu primeiro boletim na noite de 30 de novembro. O anúncio, feito em sessão pública, corresponde a 34,25% dos votos presidenciais apurados, totalizando 6.559 de 19.152 boletins de voto.
Os resultados preliminares mostraram uma disputa acirrada nas primeiras posições, o Partido Nacional de Honduras teve até o momento 530.073 votos. Foi apurado que o Partido Liberal de Honduras teve 506.316 votos e o Partido Liberdade e Refundação (Libre) com 255.972 votos.
O CNE, composto por Ana Paola Hall García, Marlon David Ochoa Martínez e Cossette Alejandra López Osorio, fez a ressalva de que os dados são parciais e apenas informativos. No entanto, a campanha de Moncada contesta os resultados iniciais.
A convocação à “Resistência Cidadã”
Em resposta aos resultados, a candidata Rixi Moncada reforçou que o Libre não aceitaria o relatório inicial. A denúncia é fundamentada em alegações de gravações de áudio vazadas que, segundo o Partido Libre e o Procurador-Geral Johel Zelaya, revelam um complô para manipular a transmissão de dados eleitorais.
Diante do cenário, Moncada pediu aos cidadãos que se mantivessem “firmes na luta até a obtenção dos resultados finais com 100% das atas de apuração”. A convocação à vigilância popular busca blindar o processo de contagem final contra a alegada interferência.
O Conselho Eleitoral, por sua vez, agradeceu à população por sua participação e instruiu os funcionários das seções eleitorais a permanecerem em seus postos até a conclusão da contagem e a transmissão transparente de todas as atas.
A candidata Moncada agendou uma coletiva de imprensa para a próxima segunda-feira (8), onde deverá detalhar a posição política do Partido Libre em relação aos resultados anunciados.
