O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, volta ao estado de Pernambuco nesta terça-feira (2), com duas agendas públicas. No turno da manhã, a partir das 11 horas, Lula vai ao município do Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, onde visita a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), da Petrobras, para uma cerimônia de assinatura simbólica do contrato para início das obras de ampliação da capacidade de produção da refinaria. Oficialmente, os documentos já foram assinados e as obras já tiveram início no Complexo Industrial e Portuário de Suape.
No turno da tarde, o presidente da República viaja 180 quilômetros até o Agreste pernambucano, onde participa da entrega da barragem Panelas 2, entre os municípios de Cupira e Panelas. O equipamento tem capacidade de armazenar 16,9 milhões de metros cúbicos e custou R$ 66 milhões. As barragens visam controlar o fluxo de águas nos rios Una e Sirinhaém, ajudando a ter segurança hídrica no Agreste e a evitar inundações durante o inverno na Zona da Mata sul do estado. Os municípios de Palmares, Barreiros, Água Preta, Catende e Belém de Maria serão beneficiados.
No evento, com início previsto para as 16 horas, também será anunciada a retomada das obras da barragem de Igarapeba, no município de São Benedito do Sul, próximo ao local do evento. Maior que a barragem de Panelas 2, a de Igarapeba tem custo estimado em R$ 71 milhões e volume útil de 33 milhões de metros cúbicos. A obra deve beneficiar os municípios de Jaqueira, Maraial, Palmares, Barreiros, Água Preta e Catende, além da própria São Benedito. Paralisada desde 2015, a obra foi contemplada no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e tem conclusão prevista para 2030.
Raquel Lyra de volta aos atos com Lula
Quem garantiu estar ao lado de Lula (PT) nas duas agendas em Pernambuco foi a governadora do estado, Raquel Lyra (PSD). Em agosto, pouco após receber sinalizações de que o PT apoiaria a candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado, contra a própria Raquel, a governadora optou por não participar das agendas públicas de Lula no estado. O cenário de alianças eleitorais não se alterou, mas a governadora pode ter avaliado que aquela escolha fora um erro.

Na última visita presidencial a Pernambuco, no mês de agosto, a governadora Raquel Lyra (PSD) optou por não participar dos eventos com Lula (PT) em Goiana e no Recife, o que deixou o caminho livre para o prefeito do Recife, João Campos (PSB), se declarar soldado de Lula. “Onde o senhor estiver, na minha cidade e no meu estado, eu estarei ao seu lado, defendendo o seu nome e dizendo que sou um soldado do senhor”, declarou Campos na ocasião, fustigando a governadora ausente.
Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima
Em janeiro de 2024, o presidente Lula visitou a Rnest para anunciar a retomada dos investimentos, com o lançamento de uma licitação para concluir o chamado Trem 2 de refino, cuja obra foi paralisada em 2015, devido às investigações da Operação Lava-Jato. Mas o edital de 2024 não vingou, não recebendo propostas dentro dos valores esperados. Um novo edital foi lançado e os sete contratos (referentes a blocos de obras) já foram assinados em junho deste ano. O canteiro está instalado, com homens trabalhando na obra. A expectativa é que as entregas das primeiras etapas aconteçam ainda em 2026.
As obras são para a construção de uma unidade de destilação atmosférica (UDA), que cumpre a primeira etapa do refino do petróleo bruto, destilando (separando) os elementos do petróleo; uma unidade de coqueamento retardado (UCR), para converter resíduos de óleo de pouco valor em produtos como diesel e GLP (o popular gás de cozinha); uma unidade de hidrotratamento de diesel S10 (UHDT-D), que remove o teor de enxofre do diesel, reduzindo a 10 partes por milhão; e uma unidade de geração de hidrogênio (UHDT-UGH), gás necessário para realizar grande parte das operações do refino.
Considerada a refinaria mais moderna da Petrobras, a Abreu e Lima hoje opera com capacidade de refino de 88 mil barris por dia. A expectativa é que, com a conclusão das obras, em meados de 2029, a Rnest alcance a capacidade de refinar 260 mil barris diários. As novas unidades da refinaria devem contribuir para que a indústria siga atendendo às diretrizes internacionais relacionadas a impacto ambiental, segurança, confiabilidade, desempenho e qualidade dos produtos, além de redução dos custos energéticos, de manutenção e de uso de água.
Idealizada no primeiro mandato de Lula (2003-2006), a Rnest recebeu, durante sua construção, a visita do então presidente venezuelano Hugo Chávez, com planos de que a refinaria pernambucana operasse através de parceria entre Petrobras e a PDVSA. Mas a estatal venezuelana não realizou sua parte do investimento (40%), de modo que em 2013 a Petrobras assumiu 100% da Rnest.
O nome da refinaria é uma homenagem a José Inácio Abreu e Lima (1794-1869), o General Abreu e Lima. Nascido no Recife, o militar somou forças a Simon Bolívar na luta pela libertação das nações sul-americanas do domínio colonial. Abreu e Lima lutou nas guerras de libertação da Venezuela, Nova Granada (atual Colômbia) e Peru.
