Combinando literatura, teatro, dança, música e performance, o espetáculo infantil pernambucano “Helô em Busca do Baobá Sagrado” segue em circulação pela Região Metropolitana do Recife com sessões gratuitas até o dia 10 de dezembro. A peça, que estreou recentemente no 24º Festival Recife do Teatro Nacional, propõe uma aventura cênica atravessada por ancestralidade, imaginação e reflexões sobre racismo e cuidado coletivo, levando sua narrativa a espaços culturais, terreiros, aldeias e equipamentos comunitários do Recife, Olinda e Igarassu.
A programação inclui apresentações abertas ao público geral e sessões especiais para estudantes, consolidando a proposta de democratizar o acesso das crianças às artes cênicas. Após a primeira sessão, realizada no último dia 30 de novembro no Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, a circulação segue no Casarão das Artes, no Bairro do Recife, nesta quinta-feira (4), às 16h. Na sexta-feira (5), a montagem ocupa a Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, também às 16h.
Já no sábado (6) é a vez da Aldeia Marataro Kaeté, em Igarassu, às 10 horas. Encerrando o fim de semana, domingo (7), às 16 horas, o espetáculo será apresentado no Ilê Axé Oxum Iponda, em Jardim Fragoso, Olinda. A circulação se encerra na próxima semana, dia 10 de dezembro, às 15 horas, na Escola Municipal Soldado José Nascimento, no bairro da Boa Vista, em uma sessão voltada a alunos da unidade.
Dirigida por Agrinez Melo, que também assina dramaturgia, letras musicais e criação do figurino, a produção reúne um elenco formado por Cecília Chá, Ester Soares, Fábio Henrique, Talles Ribeiro e a própria Agrinez, responsável pela manipulação de bonecos, bonecas e figuras animadas. A realização é da DoceAgri.
Segundo a diretora, o projeto nasce do desejo de levar arte para espaços diversos e fortalecer a potência das crianças como agentes de mudança. Ela destaca que a obra dialoga com territórios quilombolas, terreiros e aldeias por acreditar no papel das infâncias enquanto sementes para futuros mais justos.
“Chegamos aos espaços artístico-culturais, alternativos, quilombos, terreiros e aldeias por acreditarmos no poder das crianças enquanto sementes para transformar os tempos futuros. O espetáculo é para quem um dia vai regar outras sementes, com culturas, histórias e raízes vivas. A gente deseja que as crianças sejam livres e saudáveis e que o amor e a alegria sejam ditos pelo brincar por meio da arte”, afirma Agrinez.
A narrativa apresenta Helô, uma menina negra que descobre ter a missão de encontrar o Fruto Sagrado do Baobá para curar seu povo da tristeza causada pelo racismo e pelo bullying. Orientada pela avó, a Velha Cachimbeira, e acompanhada pelo pai, Helô percorre a Floresta Negra, onde encontra personagens como Pé de Jaca, Dr. Sapão, Corujita, Anahí e Comadre Fulorzinha, além de figuras encantadas que a conduzem ao Baobá Sagrado. A aventura ganha contornos lúdicos e poéticos enquanto a menina enfrenta Seu Quadrado, símbolo de uma visão cinzenta e limitante do mundo.
A montagem, que também integrou a programação da Ocupação Espaço O Poste em setembro, conta com uma ficha técnica formada por profissionais pernambucanos, incluindo Beto Xambá e Thúlio Xambá na criação musical, Monique Sampaio e Paulinho Folha na sonoplastia e execução, Douglas Duan na preparação de canto e cenografia, Naná Sodré na preparação vocal, Vinicius Vieira na maquiagem, Célia Regina na confecção de bonecos, André Cordeiro na iluminação e Washi San’s na consultoria coreográfica, além das equipes de figurino, produção e assessoria.
A circulação atual de “Helô em Busca do Baobá Sagrado” é viabilizada pelo Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, com apoio da Secretaria de Cultura e da Prefeitura do Recife.
