Uma excelente notícia para as futuras mamães e para a saúde dos recém-nascidos do Vale do Jequitinhonha: o Ministério da Saúde (MS) começou a distribuir, nesta semana, a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
O MS alerta que a bronquiolite é uma doença respiratória aguda que afeta principalmente crianças com menos de dois anos. É caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões e causada principalmente por infecções virais, sendo VSR o agente infeccioso mais comum associado a essa condição.
No entanto, outros vírus respiratórios também podem desencadeá-la, como adenovírus, vírus parainfluenza, vírus influenza, rinovírus, entre outros.
Talvez você não conheça o vírus por esse nome complicado, mas com certeza já ouviu falar do perigo que ele causa: a bronquiolite. Esse vírus é o principal responsável por infecções respiratórias graves em bebês, causando muita preocupação e internações nos primeiros meses de vida.
A vacina agora faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS), é totalmente gratuita e já está sendo enviada para as regionais de saúde.
O alerta dos números: por que vacinar agora?
A chegada das doses acontece em um momento decisivo. Um levantamento de dados exclusivo, realizado pela nossa reportagem, através do DATASUS (SIM e SINASC), Ministério da Saúde, SES-MG e Estudo Clínico Matisse,um ensaio internacional de fase II, revela que a doença tem se tornado mais letal em Minas Gerais e, neste ano, rompeu a barreira de segurança da região.
Nos últimos dois anos, o número de óbitos de bebês por bronquiolite em Minas Gerais mais que dobrou, passando de 21 mortes em 2022 para 45 em 2024.

No Vale do Jequitinhonha, a situação também preocupa: em 2022 e 2023, não houve registro de mortes de bebês pela doença, mas, em 2024, o vírus fez vítimas. As cidades de Itamarandiba, que contabilizou 397 nascimentos no ano, e Serro (217) perderam, cada uma, um bebê.
Com mais de 6,5 mil nascimentos anuais nos 55 municípios do Vale, a vacina é a única ferramenta capaz de garantir que 2025 volte a ser um ano sem perdas fatais na região.
Laiza Torres, enfermeira na Atenção Primária à Saúde (APS) de Felisburgo, está contente com a chegada da vacina. “Orientamos as mães quanto aos cuidados necessários. E ainda bem que a vacina vai chegar para nos tranquilizar mais, vai conferir maior imunidade”.
Felisburgo faz parte do Baixo Jequitinhonha e não tem caso de bronquiolite registrado. Ela explica sobre o cuidado que a equipe da cidade tem.“A atenção primária trabalha com meios de prevenção de agravos à saúde. E, para o público infantil, fazemos o acompanhamento gestacional. Depois que nasce, fazemos as consultas até 2 anos de idade para acompanhamento do desenvolvimento e crescimento”.
Por que o vírus é tão preocupante?
Além da letalidade, o volume de internações no Brasil assusta. O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos.
Segundo o MS, através da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), somente em 2025 (até 22 de novembro), o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR, sendo mais de 35,5 mil em crianças abaixo de dois anos.
O maior problema é que a bronquiolite não tem tratamento específico para eliminação do vírus. O manejo baseia-se apenas em medidas de suporte, como oxigênio, hidratação e, em alguns casos, broncodilatadores.
Em períodos de maior circulação, isso aumenta a pressão sobre prontos-socorros, UTIs e leitos pediátricos, reforçando que a imunização preventiva é o melhor remédio.
Como funciona a proteção?
A estratégia da vacinação é inteligente: ao vacinar a mãe durante a gravidez, ela produz anticorpos (defesas) que passam para o bebê ainda na barriga. Assim, a criança já nasce protegida durante seus primeiros meses de vida, que é justamente a fase mais crítica. Estudos mostram que essa vacina tem 81,8% de eficácia em evitar casos graves nos primeiros 90 dias de vida do bebê.
Quem deve se vacinar?
O público-alvo são as gestantes. Confira as regras simples:
- Quando tomar: a partir da 28ª semana de gestação.
- Idade da mãe: não há restrição de idade e todas as grávidas nessa fase devem tomar.
- Dose: a dose é única a cada nova gravidez.
Gratuidade
Além de salvar vidas, a medida representa uma grande economia para as famílias. Na rede privada, essa mesma vacina pode custar até R$ 1.500,00. Agora, ela está disponível de graça no postinho de saúde perto da sua casa. Essa conquista foi possível graças a um acordo com o Instituto Butantan, que garantiu a transferência de tecnologia. Isso significa que, em breve, o Brasil terá autonomia para fabricar essa vacina em solo nacional, garantindo que ela nunca falte no SUS.
Serviço: o que fazer agora?
Se você está grávida com 28 semanas ou mais:
- Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
- Leve sua carteira de gestante e documentos pessoais.
- Dica extra: Aproveite a viagem. O Ministério da Saúde informa que essa vacina pode ser tomada no mesmo dia que as vacinas da gripe (Influenza) e da covid-19, se estiverem atrasadas.

O lote inicial integra a compra de 1,8 milhão de doses feita pela pasta. As entregas seguem calendário pactuado com estados e municípios. O Distrito Federal (DF) é a primeira unidade da federação a receber as doses.
Os demais estados recebem entre os dias 2 e 3 de dezembro. As entregas são feitas por modal aéreo, rodoviário e multimodal, seguindo as logísticas de cada estado. O MS vai garantir o abastecimento necessário para a execução das estratégias locais de vacinação. Para saber informações sobre a disponibilidade em sua cidade, informe-se no posto de saúde, pois a gestão dos estoques é de responsabilidade das secretarias locais.
Compartilhe essa notícia. Em 2024, o vírus avançou, mas, com a vacina, em 2025 e 2026, podemos proteger nossos bebês.
