O Movimento Nacional Mulheres Vivas promove, neste domingo (7), às 15h, no Busto de Tamandaré, em João Pessoa, um ato em defesa da vida das mulheres. A agenda nacional será marcada por manifestações em diferentes cidades do país para expor e denunciar a violência contra as mulheres.

Andréa Miranda, uma das coordenadoras do ato, comenta que o objetivo é pressionar o poder público e sensibilizar a sociedade: “O objetivo do ato é muito claro, denunciar essa violência, pressionar o poder público por políticas reais de proteção e mobilizar toda a sociedade, mulheres e também homens conscientes, ocupar ruas para salvar vidas. Não estamos falando de estatística, estamos falando de vidas interrompidas, de famílias destruídas, de um Estado que falha com a gente. Essa mobilização começou com mulheres comuns de várias cidades indignadas com o que está acontecendo. Grupos coletivos, movimentos feministas, partidos, instituições religiosas progressistas e mulheres que nunca tinham ido a um ato na vida estão se somando. É um movimento plural, apartidário, no sentido de que todas são bem-vindas, mas profundamente político, porque a violência contra a mulher é uma questão política.”
Ela acrescenta que, entre as reivindicações, estão o combate efetivo ao feminicídio, o funcionamento das delegacias da mulher 24 horas por dia, a ampliação de abrigos e casas de acolhimento, além de políticas de prevenção e educação voltadas para enfrentar o machismo estrutural. Andrea destacou ainda que, na Paraíba, as delegacias da mulher não funcionam nos finais de semana, o que representa um grave obstáculo para vítimas que buscam ajuda.
Expectativa de público
O ato espera reunir mulheres, homens, famílias e todos aqueles que compreendem que o feminicídio não é apenas um problema das mulheres, mas uma urgência nacional. A mobilização simultânea em diversas cidades tem como objetivo demonstrar que o país inteiro está atento e não aceita mais o ciclo de violência. O Movimento Nacional Mulheres Vivas reforça que cada voz importa e cada corpo presente contribui para transformar realidades.
“Que ninguém se cale. Que ninguém falte. Por todas nós. Por cada uma. Pela vida das mulheres”, conclui o manifesto.
Dados alarmantes
Somente na Paraíba, entre janeiro e julho de 2025, foram registrados 20 feminicídios, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa uma média de quase três casos por mês, sendo considerado o segundo pior resultado dos últimos dez anos. Esses registros reforçam a urgência da mobilização, já que as ocorrências se espalham por diferentes cidades do estado, incluindo João Pessoa, Campina Grande, Patos e Cajazeiras.
No cenário nacional, mais de mil casos de feminicídio foram contabilizados em 2025, conforme dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Mapa da Segurança Pública. O levantamento confirma que, em média, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, evidenciando a gravidade da crise e a necessidade de políticas públicas mais efetivas.
Para o Movimento, o Brasil atravessa uma escalada brutal de agressões e assassinatos de mulheres: “O 07/12 é decisivo. Este é o dia em que mostramos que mulheres vivas, organizadas e unidas movem este país e não serão derrotadas por nenhuma onda de ódio, covardia ou violência. A impunidade avança, o ódio se normaliza e grupos misóginos tentam rebaixar, desumanizar e atacar direitos conquistados com décadas de luta. Este ato é um grito coletivo por respeito, dignidade e proteção.”
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