Nesta sexta-feira (5), o Banco de Brasília (BRB) realizou, na capital federal, a cerimônia da primeira edição do Prêmio BRB de Impacto Social, que reconhece iniciativas inovadoras, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e que tenham elevado impacto na sociedade. E entre os quase mil inscritos, um projeto pernambucano que nasceu em Garanhuns foi um dos seis premiados da noite, reconhecido na categoria inclusão e diversidade.
Encabeçado pela Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), o programa Universidade Popular em Rede: formação em rede com movimentos sociais de Pernambuco alcança 18 secretarias municipais de educação na região Agreste do estado. Ele consiste em promover formações continuadas para profissionais de educação das redes públicas na temática de educação especial, para que as escolas estejam mais preparadas para receber crianças e adolescentes com deficiências. Cerca de 600 educadores são beneficiados diretamente.
O projeto de extensão da universidade é liderado pela professora Viviane Sarmento, vinculada à Ufape. “Hoje afirmamos a força do Agreste, região que com coragem e parceria promove inclusão e constrói caminhos pautados na justiça social”, comemora Sarmento, que é doutora em educação e pesquisadora sobre os significados sociais da deficiência. “Ele evidencia a potência coletiva que vem dos movimentos sociais, o que surge quando damos as mãos e caminhamos juntas e juntos, abrindo portas na coletividade”, completa.
Os encontros formativos contam com a participação ativa do Movimento Surdo Agreste, da Associação de Surdos de Pernambuco (Asampe) e do povo Xukuru do Ororubá, garantindo o protagonismo da sociedade civil, em especial das pessoas com deficiência. O projeto se destaca por promover a formação cidadã e pelo fortalecimento de parcerias entre sociedade e instituições públicas, além de atender aos objetivos de desenvolvimento (ODSs) de números quatro (educação de qualidade) e 17 (parcerias e meios de implementação).
O reconhecimento nacional do Instituto BRB vem acompanhado de uma premiação de R$ 30 mil para a instituição fortalecer o projeto. O valor, segundo Sarmento, “será crucial para o aprofundamento das ações do projeto. “É o reconhecimento de um trabalho coletivo, que nasce do compromisso com uma educação inclusiva, transformadora, construída lado a lado com movimentos combativos em nosso território. Que sirva de impulso para continuarmos abrindo portas, ampliando vozes e fortalecendo nossa luta por justiça”, concluiu Sarmento, que também é colunista do Brasil de Fato.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), no Censo 2022, os estados da região Nordeste possuem um índice de 8,6% de sua população formada por pessoas com deficiência, o que resulta num total estimado em 4,92 milhões de PcDs em 2025. O índice é acima da média nacional (7,3% da população). O estado de Pernambuco registra um índice acima do Brasil e do Nordeste: 8,9% dos pernambucanos são PcDs, resultando num total estimado de 851 mil pessoas.
A iniciativa reafirma a Ufape como instituição pública comprometida com a inclusão social através da educação, contribuindo para o acesso e permanência das pessoas com deficiência nas escolas. As formações voltadas para professores das redes públicas do Agreste, pensando na inclusão de pessoas com deficiência, tiveram início em meados de 2023 e 2024. Mas o programa Universidade Popular começou em 2021, abraçando iniciativas de organizações populares que atuavam em Garanhuns, a exemplo de um cursinho que oferecia aulas gratuitas visando o Enem e ações de conscientização lideradas por mulheres surdas.
