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O papel do BNDES no desenvolvimento da agricultura

Estamos avançando em reconstruir os instrumentos de fomento que o BNDES historicamente possuía e foram desarticulados

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O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem se consolidado como um dos principais instrumentos de financiamento e fomento da agricultura no Brasil. No ciclo 2025/2026 do Plano Safra, o banco anunciou a disponibilização de R$ 70 bilhões para o setor – a maior cifra já mobilizada pela instituição para esse fim. 

Desse total, parte significativa será destinada a custeio da produção, investimentos, comercialização e apoio a diferentes portes e modalidades de produção. Para a agricultura familiar, foram disponibilizados aproximadamente R$ 13,4 bilhões, cifra que representa 12% de crescimento em relação ao montante executado pelo BNDES no Plano Safra anterior. Entre 2023 e 2025, o BNDES disponibilizou R$ 36,1 bilhões em crédito para a agricultura familiar, em mais de 377 mil operações.

Esse volume expressivo confirma o comprometimento do BNDES com o desenvolvimento do campo, contribuindo de modo decisivo para garantir liquidez, infraestrutura e capital a produtores de todos os portes, bem como, às cooperativas de produção. 

Esta atuação do BNDES segue a orientação do governo do presidente Lula, que reconhece a condição estratégica da agricultura brasileira no processo de formação do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. De um lado, impacta positivamente as exportações; de outro, garante a estabilidade de preço dos produtos da cesta básica – componente fundamental do salário mínimo. Nesse sentido, o crédito é um dos alicerces dessa política para os diferentes segmentos. 

No governo do presidente Lula foram retomadas as políticas de segurança alimentar e de combate à fome. Ao todo, o Plano Safra 2025/26 reservou R$ 89 bilhões para a agricultura familiar, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e de outras políticas de apoio, como custeio, investimento, compras públicas, seguro agrícola, assistência técnica, garantia de preço mínimo.

Também foram diversificadas as linhas de crédito, com o financiamento para agroecologia, para mecanização, adaptação às mudanças climáticas e produção orgânica. 

Outros dois aperfeiçoamentos importantes foram a equalização e redução das taxas de juros que, dependendo da modalidade, variam entre 0,5% e 8% ao ano; e a ampliação dos limites de crédito, permitindo ao pequeno produtor condições mais favoráveis de acesso a recursos. 

Esse esforço tem reflexo na mesa das famílias brasileiras, com garantia de oferta de produtos a melhores preços. Só o BNDES ampliou em 41,5% o crédito para culturas que fazem parte da cesta básica. Ao todo, foram R$ 5,1 bilhões do Plano Safra 2024/2025 para a produção de frutas, arroz, feijão, café, trigo e legumes, entre outros produtos, sendo que na safra anterior, esse valor foi de R$ 3,6 bilhões.

Maior produtividade: desafio para a agricultura familiar

Além de garantir a produção, um dos desafios na agricultura familiar é aumentar a produtividade. Essa é uma agenda que tem impactos significativos para as famílias de pequenos agricultores. Contribui para o aumento da renda, para manutenção da juventude no campo e para melhora nas condições de trabalho. 

Também significa maior produção, com reflexos na menor volatilidade dos preços, além do uso intensivo das áreas produtivas, com impactos na preservação ambiental. É por isso que financiar investimentos estruturais e de longo prazo – máquinas e equipamentos, armazenagem, inovação e tecnologia — é uma das agendas prioritárias para o BNDES.

Recentemente, o Consórcio Nordeste e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apresentaram um estudo indicando que a região Nordeste apresenta 50% da quantidade dos empreendimentos da agricultura familiar de todo país. No entanto, só 3% dessas unidades produtivas têm acesso à mecanização. 

Para buscar reverter esse cenário, o BNDES realizou uma iniciativa estruturante que foi a Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil. A produção de máquinas e equipamentos adaptados para a realidade da agricultura familiar — com destaque para tratores, máquinas e implementos agrícolas — foi um dos cinco eixos da chamada de projetos, realizada pelo BNDES em conjunto com Finep, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Banco do Nordeste. Foram identificados 35 projetos com essa temática que poderão ter apoio da instituição com as linhas de financiamento para implantação de linhas de produção.

A capacidade de armazenamento também tem se mostrado uma pauta relevante para melhoria da produtividade da agricultura familiar. Para se ter ideia, até abril deste ano, os financiamentos do BNDES para a armazenagem nos mais diversos ramos agropecuários do país alcançaram R$ 2,6 bilhões e foram os maiores da série histórica iniciada em 2013. 

No âmbito do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), o valor já aprovado entre julho de 2024 e março de 2025 supera em 32% os investimentos feitos na safra anterior (2023/2024) e em 287% os realizados no ano safra 2022/2023. Somadas os valores aprovados para as safras 2023/2024 e 2024/2025, o montante de R$ 4,59 bilhões supera a soma das cinco safras desde 2018 (R$ 4,56 bilhões). 

Pesquisa e inovação para cooperativas da agricultura familiar

Se há um consenso entre quem trabalha com agricultura e com crédito é o de que o debate sobre produtividade passa, necessariamente, por investimentos em pesquisa e inovação. Nesse sentido, 2025 foi um marco com a aprovação, pelo presidente Lula, da Lei 15.184/2025. A legislação autoriza as cooperativas da agricultura familiar a terem acesso ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). 

A norma corrige uma lacuna legal que até então impedia milhares de cooperativas de acessar diretamente recursos voltados a pesquisa e desenvolvimento (P&D), limitando sua inserção no sistema nacional de inovação. Para os próximos anos, foi autorizada a destinação de R$ 22 bilhões em recursos para FNDCT que agora poderão ser acessados também pelas cooperativas da agricultura familiar. 

O BNDES também deu uma contribuição relevante nesse tema ao lançar um edital que fomenta, com recursos não reembolsáveis, experiências de produção de bioinsumos por cooperativas e associações de agricultores familiares, em estruturas industriais ou semi-industriais. 

Baseado na lei 15.070/24, o edital busca estimular a produção de alimentos saudáveis e ambientalmente sustentáveis, com o apoio financeiro a projetos que sejam desenvolvidos e parcerias com Institutos de Ciência e Tecnologia (ICT) ou universidades. Serão destinados, no mínimo, R$ 5 milhões por projeto. O orçamento total da iniciativa é de R$ 60 milhões. 

Mais recursos, novos instrumentos e condições de crédito, diversificação de linhas. Esses são alguns dos exemplos que mostram como tem sido cada vez mais efetivo o papel do BNDES no fortalecimento da agricultura familiar. 

A instituição tem buscado uma maior interlocução com os movimentos populares do setor por ter a clareza do papel estratégico que a agricultura, empresarial e familiar, tem no desenvolvimento econômico, social e ambiental do país. 

Estamos avançando em reconstruir os instrumentos de fomento que o BNDES historicamente possuía e foram desarticulados. Temos absoluta clareza das grandes oportunidades que se abrem em construir uma agricultura cada vez mais inovadora, sustentável e que garanta a produção de alimentos saudáveis para a mesa das famílias brasileiras. Consolidar uma estratégia de segurança alimentar contribui para um maior desenvolvimento agroindustrial e resulta em uma sociedade mais inclusiva e solidária.

*Maria Fernanda Ramos Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo do Rio Doce do BNDES.

**Este é um artigo de opinião e não representa necessariamente a linha editorial do Brasil do Fato.

(Conteúdo patrocinado pelo BNDES.)

Editado por: Geisa Marques

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