Nível alarmante

Violência contra trabalhadores humanitários atinge nível alarmante no mundo: 320 mortos em 2025, revela ONU

Relatório da ONU aponta territórios palestinos, Sudão do Sul e Sudão como as zonas mais perigosas

De acordo com o relatório, o número de vítimas em 2025 e 2024 excede significativamente a média de três anos, que era de 267 trabalhadores humanitários mortos anualmente
De acordo com o relatório, o número de vítimas em 2025 e 2024 excede significativamente a média de três anos, que era de 267 trabalhadores humanitários mortos anualmente | Crédito: Jaafar Ashiyet/AFP

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) divulgou, nesta segunda-feira, que pelo menos 320 trabalhadores humanitários foram mortos em todo o mundo durante o ano de 2025.

O Ocha destacou que a violência se mantém em patamares historicamente altos, após o recorde de 2024. “Pelo menos 320 trabalhadores humanitários foram mortos em 23 países até o final de novembro de 2025, 98% dos quais eram funcionários locais que atuavam em suas próprias comunidades ou países. Essa contagem segue o ano mais letal já registrado, 2024, quando mais de 380 trabalhadores humanitários foram mortos em 20 países”, relatou a agência da ONU.

De acordo com o relatório, o número de vítimas em 2025 e 2024 excede significativamente a média de três anos, que era de 267 trabalhadores humanitários mortos anualmente. O relatório de agosto de 2024, que registrou 383 mortes no ano (um aumento de 31% em comparação com 2023), já havia alertado para a escalada da violência.

Zonas de risco em 2025

O relatório de 2025 indica que os Territórios Palestinos (Cisjordânia e Faixa de Gaza) continuaram sendo a região mais perigosa para o pessoal humanitário, com 120 mortes registradas. Seguem-se o Sudão do Sul, com 65 mortes, e o Sudão, com 39 mortes, totalizando as áreas de maior risco no ano.

A organização lembrou que os ataques contra o pessoal humanitário violam o direito internacional humanitário e que os Estados e as partes em conflito são obrigados a garantir a sua proteção.

O descaso mundial com o cenário de violência foi destacado pela organização. “Esta é uma era de brutalidade, impunidade e indiferença”, declarou o chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, em coletiva de imprensa em Nova York.

O panorama reforça o caráter emergencial da situação global. O apelo humanitário total para 2026 busca levantar US$ 33 bilhões, recursos necessários para apoiar 135 milhões de pessoas em 50 países. 

No entanto, o organismo ressaltou que a meta pode ser difícil de alcançar, citando desafios como o corte na ajuda externa promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Diante desse cenário, a organização espera arrecadar ao menos US$ 23 bilhões, destinados a ajudar 87 milhões de pessoas atingidas por conflitos e crises em regiões críticas como Gaza, Sudão, Haiti, Myanmar e Ucrânia.

Com o financiamento humanitário em 2025 atingindo o nível mais baixo da última década, aproximadamente US$ 12 bilhões, as consequências foram graves e diretas. Em comparação com 2024, a assistência chegou a 25 milhões de pessoas a menos, revelando uma crise de recursos.

O Ocha detalha que esta insuficiência de fundos desencadeou uma série de retrocessos: o aumento da fome, o colapso de sistemas de saúde essenciais, a interrupção maciça de programas educacionais e a paralisação de operações cruciais de desminagem.

Diante do cenário global, Fletcher lamentou a situação. “Estamos sobrecarregados, com poucos recursos e sob ataque”. O porta-voz criticou o foco de alguns países, afirmando que estes têm investido mais energia e dinheiro “em novas maneiras de se matar”, enquanto, paradoxalmente, desmontam mecanismos vitais criados “para nos proteger de nossos piores instintos”.

Editado por: Nathallia Fonseca

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