Comércio

China bate recorde de US$ 1 trilhão de superávit comercial mesmo com queda nas exportações para EUA

Diversificação com Rota da Seda e nações com tarifa zero impulsionam resultado histórico em ano de tarifaço de Trump

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Carros elétricos da BYD aguardam para serem carregados no navio cargueiro BYD "Shenzhen", no porto de Taicang, em Suzhou, na província de Jiangsu, rumo ao Brasil - 27 de abril de 2025
Carros elétricos da BYD aguardam para serem carregados no porto de Taicang, rumo ao Brasil – 27 de abril de 2025 | Crédito: AFP

Antes de finalizar o ano, a China bateu um recorde em seu superávit comercial. O país registrou US$ 1 trilhão (R$ 5,4 tri) de superávit no comércio internacional de janeiro a novembro deste ano, apesar das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que chegaram a 145% no início do ano, segundo informações divulgadas pela Administração Geral de Alfândegas (AGA), na segunda-feira (8). O saldo representa mais de 5% do Produto Interno Bruto chinês, o dobro do registrado em 2019, e reflete a estratégia de diversificação de mercados em resposta ao tarifaço estadunidense.

No ano passado, a China quase havia atingido a marca de US$ 1 trilhão de superávit comercial, com 7 trilhões de yuans (R$ 5,8 trilhões), recorde até então.

Segundo a AGA, as exportações chinesas totalizaram 24,46 trilhões de yuans (R$ 18,8 tri) no período, alta de 6,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024, enquanto as importações somaram 16,75 trilhões de yuans (R$ 12,87 tri), crescimento de 0,2%.

Os dados da alfândega mostram uma importante reorientação nos fluxos comerciais. As exportações para os Estados Unidos caíram 29% nos primeiros 11 meses, enquanto as vendas para União Europeia cresceram 14,8%, para Austrália, 35,8% e para o Sudeste Asiático, 8,2%.

O comércio com países da Iniciativa Cinturão e Rota totalizou 21,33 trilhões de yuans (R$ 16,39 tri), alta de 6%, representando 51,8% do comércio exterior chinês. Produtos eletromecânicos geraram 14,89 trilhões de yuans (R$ 11,44 tri) em exportações, um crescimento de 8,8%, representando 60,9% do total exportado, segundo a AGA.

Tarifa zero para países menos desenvolvidos impulsiona importações

Desde dezembro de 2024, a China concedeu tratamento de tarifa zero para 100% das linhas tarifárias de países menos desenvolvidos com os quais mantém relações diplomáticas, tornando-se o primeiro grande país a desenvolver uma medida do tipo.

“Nos últimos 11 meses, as importações dos países menos desenvolvidos aumentaram mais de 55 bilhões de yuans (R$ 42,27 bilhões), demonstrando ações concretas no apoio ao desenvolvimento comum do Sul Global”, afirmou Lyu Daliang, diretor do Departamento de Estatísticas e Análise da AGA.

Dados da Alfândega de Huangpu, em Guangzhou, no sul do país, mostram que, de janeiro a novembro, houve importações com tratamento preferencial no valor de 1,3 bilhão de yuans (R$ 999,18 milhões), resultando em isenção tarifária no valor de 60 milhões de yuans (R$ 46,12 milhões), informou Huang Chong, vice-diretor do departamento tarifário da alfândega, à CCTV.

A política impulsionou importações de produtos agrícolas africanos. “Desde o início deste ano, minha empresa importou gergelim de Tanzânia, Moçambique, Níger e Togo, que representam 90% do total de importações de gergelim. Estimamos reduções tarifárias de cerca de 7,7 milhões de yuans (R$ 5,92 milhões)”, disse à CCTV, Chen Yue, gerente de uma empresa de comércio exterior em Guangdong,.

Produtos de energias não-fósseis lideram nova fase exportadora

A província de Shandong exportou quase 200 mil toneladas de produtos de energia de biomassa nos primeiros 11 meses, aumento de quase 100% em relação ao ano anterior, informou Ji Qiyong, chefe de seção da terceira divisão de inspeção da Alfândega de Rizhao, ao canal chinês.

“O biocombustível que produzimos é feito de óleos vegetais residuais e gorduras animais. Pode ser misturado com combustível de jato convencional em qualquer proporção e reduz emissões de carbono em 80 a 85%”, disse Wang Beihai, gerente-geral assistente da Shandong Sanju Bioenergy, à CCTV. “A resiliência do comércio de exportação da China deriva de um compromisso firme com a inovação e o desenvolvimento verde”, concluiu Lyu Daliang.

Editado por: Nathallia Fonseca
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