A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) realiza, nesta terça-feira (9), a cerimônia anual de entrega do Grande Colar do Mérito Legislativo, principal honraria concedida pelo legislativo da capital. A edição deste ano ganha destaque pelo protagonismo de figuras históricas da cultura, dos movimentos populares, das tradições afro-brasileiras e das lutas por direitos. Diversos homenageados foram indicados por vereadores do campo progressista, que buscaram dar visibilidade a trajetórias marcadas pelo compromisso social e pela defesa de pautas populares.
Entre os nomes mais emblemáticos está o economista e dirigente do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, indicado por Bruno Pedralva (PT). Nascido em Lagoa Vermelha (RS), Stedile é um dos fundadores do MST e figura central na luta pela reforma agrária desde os anos 1980.
Formado em Economia pela PUC-RS, trouxe sua atuação de base nos sindicatos rurais e na Comissão Pastoral da Terra desde o período da ditadura. Hoje integra a coordenação nacional do MST e participa de articulações internacionais como Via Campesina, Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e ALBA Movimentos. Em 2015, já havia recebido a Medalha da Inconfidência, maior honraria do governo de Minas.
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A cultura também tem espaço de destaque na cerimônia. Indicada por Luiza Dulci (PT), a atriz Teuda Bara, cofundadora do Grupo Galpão e uma das figuras mais importantes do teatro mineiro, recebe a homenagem por sua contribuição decisiva à formação de públicos e ao fortalecimento das artes cênicas no país. Teuda tornou-se um ícone da linguagem teatral brasileira, reconhecida pela ousadia artística, pela comicidade singular e pela atuação vigorosa que inspirou gerações.
O vereador Cida Falabella (Psol) escolheu celebrar o músico Sérgio Pererê, cantor, compositor, multi-instrumentista, ator e diretor musical, cuja obra dialoga com tradições afro-latinas, espiritualidades de matriz africana e experimentações contemporâneas. Com apresentações no Brasil e no exterior, de Moçambique à China, Pererê é uma das vozes mais potentes da música mineira, trazendo em sua poética a ancestralidade banto e a força dos orixás.
Outra presença fundamental é a da cientista política, pesquisadora e escritora Diva Moreira, homenageada por Iza Loureça (Psol). Intelectual mineira de referência no debate racial, Diva dedica há mais de 20 anos suas pesquisas e publicações ao tema da reparação e ao enfrentamento ao racismo estrutural. Sua produção tem sido central para a formulação de políticas públicas e para ampliar a compreensão sobre justiça racial no Brasil contemporâneo.
Indicada por Juhlia Santos (Psol), a sacerdotisa Efigênia Maria da Conceição, a Mametu Muiandê, é reconhecida por sua trajetória como liderança espiritual e comunitária no Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, fundado por ela há cerca de 40 anos na região leste de BH. Com meio século de dedicação às tradições religiosas afro-brasileiras, Mãe Efigênia se tornou referência na valorização das filosofias e cosmologias africanas, além de atuar na defesa dos direitos territoriais quilombolas.
No campo legislativo, o deputado estadual Ulysses Gomes (PT), indicado por Helton Júnior (PSD), também recebe a honraria. Já Pedro Patrus (PT) homenageia Maicon Filipe Silveira Chaves, presidente do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais (Cellos-MG), organização que atua há décadas na defesa dos direitos LGBTQIA+ e no enfrentamento à violência e à discriminação.
