O presidente nacional do PT, Edinho Silva, veio a Porto Alegre nesta segunda-feira (8) para uma série de reuniões que envolvem a articulação para as eleições de 2026. O dirigente manifestou satisfação com a condução que a sigla vem tendo no Rio Grande do Sul, com a indicação de Edegar Pretto como pré-candidato ao governo do Estado e de Paulo Pimenta ao Senado. Contudo, ressaltou que o PT deve estabelecer diálogo com Juliana Brizola, pré-candidata ao Piratini pelo PDT.
“O processo que o PT do Rio Grande do Sul vivenciou foi construtivo. Uma tática eleitoral que unificou o partido, que dá sustentação à candidatura do presidente Lula aqui no Estado. Temos pré-candidato, o companheiro Edegar Pretto, uma liderança que já mostrou sua força, sua capacidade de nos representar em 2022, mas também queremos manter o espaço de diálogo com o PDT. A Juliana é uma liderança que reconhecemos, sua representatividade, sua força política. Queremos estabelecer um amplo diálogo com ela”, disse Edinho Silva, em entrevista coletiva concedida no diretório estadual do partido.
O dirigente afirmou que esse diálogo deverá ser conduzido em nível estadual, mas que também há conversas entre os diretórios nacionais de PT e PDT. Ele ressaltou, ainda, que o partido pode apoiar candidatos pedetistas em estados como Paraná e Minas Gerais – em que o PDT tem como pré-candidatos Requião Filho e Alexandre Kalil, respectivamente. “É um processo de diálogo muito tranquilo, sem nenhuma tensão. E queremos sair dessa construção com a Juliana mais perto de nós e nós mais perto da Juliana”, acrescentou.
Indicação de Flavio Bolsonaro ‘não interessa’
Edinho Silva também falou sobre a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para concorrer à presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva, minimizando o anúncio. “Nós não estamos preocupados com os candidatos do campo adversário, estamos preocupados em consolidar os avanços do Governo Lula”.
Na avaliação do presidente do PT, Lula recebeu o país “destruído” e teria reorganizado o governo nos primeiros anos de mandato, podendo “colher os frutos” ao final da gestão. “O presidente Lula assumiu com mais de R$ 370 bilhões de rombo, com as políticas públicas desorganizadas e as relações institucionais instáveis. De 2023 para cá, aprovamos o arcabouço fiscal, reforma tributária, restabelecemos o PAC, o Minha Casa, Minha Vida, lançamos o Pé de Meia. Portanto, estamos agora colhendo os frutos de tudo o que construímos nesses dois anos iniciais. É esse governo que queremos debater em 2026. O adversário para nós não interessa, quem vier, nós vamos fazer o debate, confrontando o Brasil deles com o Brasil de agora”.
Questionado se o vice-presidente Geraldo Alckmin está garantido na chapa para 2026, Silva garantiu que só depende do próprio Alckmin. “Ele é um ministro exitoso, liderou o enfrentamento ao tarifaço do Trump, uma vitória da soberania brasileira. Ele é quem decide qual é seu papel na tática eleitoral de 2026. E nós vamos respeitar sua decisão”.
Partido deve pautar pandemia e enchente
O dirigente do PT deu a tônica de que o discurso eleitoral do partido no Rio Grande do Sul deve contrapor a omissão de Jair Bolsonaro na pandemia com as ações de Lula durante a enchente de maio de 2024. “Queremos conversar com o povo sobre o papel do presidente Lula quando o Rio Grande do Sul mais precisou. Nós vimos um governo que, na maior tragédia humanitária da nossa história, se ausentou, negou a pandemia, não enfrentou os desafios. Quando o povo gaúcho precisou, [o Governo Lula] foi um governo presente, que investiu, que nomeou um ministro só para cuidar da reconstrução do Rio Grando do Sul. Então, nós queremos dialogar sobre a vida real do povo e não tenho nenhuma dúvida de que vamos voltar a ganhar corações e mentes aqui”.
