Organizações que representam a imprensa brasileira condenaram a expulsão e agressão sofrida por jornalistas na noite desta terça-feira (9) na Câmara dos Deputados.
A confusão começou depois que o deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) ocupou a cadeira da presidência da Casa após o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) anunciar que levaria ao plenário a cassação do mandato do psolista. Braga pode perder o mandato por agredir um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro, que teria ofendido a mãe de Glauber durante um protesto no Congresso.
“Eu vou ficar aqui calmamente, com toda tranquilidade, exercendo o meu legítimo direito político de não aceitar como fato consumado uma anistia para um conjunto de golpistas, diminuição de pena para Bolsonaro de 2 anos, manutenção da mesma situação política, mantendo os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro e gerando, para mim, que fiz esse enfrentamento, 8 anos de inelegibilidade”, disse Glauber Braga antes de ser retirado à força pela Polícia Legislativa Federal.
Nesse momento, a transmissão ao vivo da sessão no Plenário, veiculada pela TV Câmara, foi imediatamente desativada. Em seguida, a Polícia Legislativa expulsou jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa, empurrando-os para fora do Plenário da Câmara, resultando em agressões.
🚨 VERGONHOSO!
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) December 9, 2025
Após o sinal da TV Câmara ser cortado, o deputado Glauber Braga ser retirado com violência da Câmara e a imprensa ser proibida de estar no Plenário, a Polícia Legislativa simplesmente saiu AGREDINDO JORNALISTAS.
É assim que vão aprovar a anistia pro Bolsonaro?… pic.twitter.com/NqoXp0P2CY
Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) classificaram como “extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira”.
“Não podemos admitir que medidas autoritárias, que remontam às vividas em um período não tão distante durante a ditadura militar, sejam naturalizadas e se repitam em nosso Congresso Nacional – que deveria ser a Casa do povo e não de quem ataca os direitos da população. Seguimos atentos e acompanhando os desdobramentos desse lamentável e absurdo episódio”, criticaram.
Em outra nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) também condenaram o ocorrido na Câmara.
“O impedimento do trabalho de jornalistas e o corte de sinal da TV Câmara são incompatíveis com o exercício da liberdade de imprensa”, dizem as entidades, que cobraram “apuração de responsabilidades para que tais práticas de intimidação não se repitam e que sejam preservados os princípios da Constituição Brasileira, que veda explicitamente a censura”.
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), por sua vez, falou que as imagens veiculadas nas redes sociais do momento em que os jornalistas foram expulsos configuram um ato de “brutalidade”.
“De acordo com notícias veiculadas nos principais portais noticiosos, a TV Câmara teve seu sinal cortado às 17h34, mesmo horário em que os jornalistas começaram a ser retirados do plenário. As imagens da brutalidade, no entanto, foram registradas por outros parlamentares e outras pessoas que permaneceram no plenário e logo ganharam os principais portais noticiosos”, disse.
Em seu perfil no X, antigo Twitter, o presidente Hugo Motta informou que determinou a “apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa”. “Temos que proteger a democracia do grito, do gesto autoritário, da intimidação travestida de ato político. Extremismos testam a democracia todos os dias. E todos os dias a democracia precisa ser defendida. Determinei também a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa”, afirmou.
