Os profissionais de Educação da cidade de Valença (RJ), no sul fluminense, decidiram encerrar a greve iniciada na última segunda-feira (8) em assembleia realizada na manhã desta sexta-feira (12). O motivo foi a decisão judicial favorável à Prefeitura de que a greve é ilegal. A notificação foi feita oficialmente nesta sexta-feira e diante de uma pena que inclui multa diária de R$ 500 mil para o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe) e R$ 5 mil para os diretores, a opção foi encerrar a greve.
Os trabalhadores reivindicavam o pagamento do reajuste anual (dissídio) previsto em lei e que venceu em maio com o pagamento dos retroativos, uma vez que o reajuste ainda não foi pago. Inicialmente a proposta do prefeito Saulo Correa (PL) era de conceder o reajuste sem retroativo apenas aos professores, mas a demanda do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) é de que se estendesse por toda a categoria de profissionais de educação.
Outra reivindicação é o retorno das professoras das creches para o turno da manhã, que por uma determinação da prefeitura ficou limitado ao período vespertino. “Isso é um caos pedagógico, porque o período da manhã é onde as professoras, elas acolhem as crianças, conversam com as mães, é o período mais produtivo”, explica Felipe Duque, coordenador do Sepe em Valença.
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Apesar das tentativas de negociação, Duque afirma que o prefeito não recebeu o sindicato e se comunica por meio de notas nas redes sociais atacando a categoria. Na segunda-feira (8), houve uma ocupação da secretária da Educação por algumas horas e na quarta (10), a manifestação foi realizada em frente à Prefeitura. “As portas ficaram todas fechadas e ninguém recebeu a gente”, relata Duque.
Nas redes sociais, o prefeito publicou o ofício que enviou ao Sepe em 1º de dezembro informando que o reajuste de 6% será dado a todos os profissionais de educação a partir de 1º de janeiro de 2026, ignorando o direito de recomposição salarial de 2025. Antes do sindicato ser notificado oficialmente, o prefeito usou suas redes sociais para ameaçar os grevistas e publicou uma nota em que dizia “Greve ilegal coloca em risco salário, carreira e futuro de quem trabalha, não de quem faz discurso político”, publicou.
Apesar de não terem todas as demandas atendidas, Duque considerou uma vitória parcial importante o reajuste ser concedido a todos os profissionais de educação, além de uma gratificação salarial de R$ 500 concedida a todos os servidores do município neste final de ano.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Valença e não obteve retorno até o fechamento do texto.
