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Ministério Público de Honduras divulga novo áudio que reforçaria supostas ilegalidades do processo eleitoral

Em meio a denúncias de interferência de Trump e irregularidades, resultado do pleito ainda não foi divulgado

Xiomara Castro nas celebrações dos 200 anos do Exército de Honduras, na quinta-feira (11)
Xiomara Castro nas celebrações dos 200 anos do Exército de Honduras, na quinta-feira (11) | Crédito: Orlando SIERRA / AFP

O Ministério Público de Honduras e a Unidade de Crimes Eleitorais do país apresentaram, na quinta-feira (11), novas gravações de áudio que ligam uma vereadora da direita a supostas irregularidades durante o processo eleitoral hondurenho, cujos resultados oficiais permanecem desconhecidos 11 dias após a eleição.

As três gravações devem agora ser analisadas pela Unidade de Crimes Eleitorais. As denúncias de irregularidades começaram em outubro, quando Marlon Ochoa, membro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras, entregou ao Ministério Público um pen drive contendo 24 gravações de áudio. Segundo ele, os áudios revelavam um plano para desacreditar o processo eleitoral de 2025 e gerar uma crise de legitimidade pós-eleitoral.

Nas últimas gravações divulgadas, ouve-se uma voz feminina, supostamente da vereadora Cossette López (Partido Nacional), expressando preocupação com os áudios já vazados e as denúncias apresentadas por organizações de direitos humanos. Em um trecho, a voz feminina demonstra preocupação com a forma como as gravações estão sendo recebidas e a possibilidade de a denúncia ser por espionagem.

“Você sabe as instruções. Um sim, um não, um sim, um não, um sim, um não”, ouve-se no áudio, referindo-se às atas de apuração. Ela acrescenta: “Há algumas que eles ordenaram que fossem ‘contaminadas’. Essas são as que nos preocupam.”

Na última das gravações de áudio divulgadas, ouve-se uma mulher dando instruções sobre o que parece ser um álibi relacionado às credenciais, perguntando à outra pessoa o que ela dirá quando questionada sobre o assunto. “Se descobrirem, estamos perdidos”, conclui a voz feminina na conversa do último áudio apresentado pelo porta-voz do Ministério Público.

Pleito conturbado

As eleições presidenciais em Honduras foram manchadas por denúncias de fraude, no momento em que a apuração turbulenta se aproxima do fim, com leve vantagem do conservador Nasry Asfura, favorito do presidente estadunidense Donald Trump. A proclamação do vencedor, no entanto, é incerta, pois, após concluída a apuração, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) vai revisar 2773 atas de votação com “inconsistências”.

A presidenta hondurenha Xiomara Castro somou-se às acusações de manipulação feitas pelo candidato de direita Salvador Nasralla — superado pelo também direitista Asfura por pouco mais de um ponto percentual — e por sua candidata, a esquerdista Rixi Moncada, que aparece em um distante terceiro lugar.

“Vivemos um processo marcado por ameaças, coação, manipulação do Trep [sistema de resultados preliminares] e adulteração da vontade popular”, denunciou Castro, em sua primeira declaração após a votação de 30 de novembro.

Nasralla, do Partido Liberal (PL) e ex-aliado da presidenta, denunciou nesta quinta-feira um “roubo” em favor de Asfura, do Partido Nacional (PN), que anunciou que vai se pronunciar apenas quando houver um vencedor.

As suspeitas de fraude são alimentadas por sucessivas falhas de informática, que afetaram a apuração e a divulgação dos resultados, a cargo da empresa colombiana ASD. Soma-se a isso, a politização do CNE, cujo plenário é formado por representantes dos três partidos majoritários. Com 99,4% das atas apuradas, Asfura somava 40,52% dos votos, contra 39,20% para Nasralla.

O CNE tem até o próximo dia 30 para proclamar o vencedor, mas o Partido Libre, que é o da situação, já solicitou a anulação do pleito. “Não posso nem vou colocar a mão nos resultados, nem para prejudicar nem para favorecer ninguém”, disse nesta sexta-feira (12) a presidenta do CNE, Ana Paola Hall, representante do partido de Nasralla.

Xiomara Castro também condenou o que chamou de interferência de Trump, que, segundo ela, “ameaçou o povo hondurenho” caso ele votasse em sua candidata, que o estadunidense classificou como “comunista”.

Na reta final da campanha, Trump apoiou Asfura e indultou o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández (2014-2022), que cumpria pena de 45 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de drogas. Hernández governou pelo mesmo partido de Asfura, que se distanciou do político.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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