Na última sexta-feira (12), movimentos sociais e organizações políticas realizaram um ato em frente à Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, para denunciar ações de caráter imperialista do governo norte-americano na América Latina e no Caribe.
A manifestação foi convocada após um helicóptero militar dos EUA ter apreendido um navio petroleiro venezuelano na costa do país, na última quarta-feira (10). Diante da ameaça militar no mar do Caribe, o ato teve como eixo central a defesa da soberania dos povos latino-americanos e a solidariedade à Venezuela.
A militante da União da Juventude Comunista (UJC), Helena Barros, afirmou que o ato foi convocado em resposta ao ataque registrado na véspera, mas situações desse tipo não são inéditas na história da região.
“Essas situações são históricas, são cíclicas. E a gente ao longo de centenas de anos vem incansavelmente lutando contra as investidas imperialistas que os Estados Unidos vêm tendo na América Latina”, declarou.
A militante também mencionou o embargo econômico a Cuba, o apoio estadunidense a regimes militares do século 20 e políticas de controle populacional que, segundo ela, marcaram parte das relações entre os EUA e a região. “Se eles incansavelmente tentam aplicar as suas lógicas imperialistas, ostensivas e violentas contra o povo latino-americano, nós incansavelmente lutaremos contra elas e ficaremos aqui até que esse yank cesse sobre a América Latina”, afirmou.
Na mesma linha, Luiz Estevez, também da UJC, afirmou que a manifestação é parte de uma defesa internacionalista, e que os episódios envolvendo a Venezuela se relacionam a outros conflitos e pressões externas ao redor do mundo.
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“O que acontece com a Venezuela não está separado do que acontece com o povo cubano. O que acontece com o povo cubano não está separado da Palestina, da Síria, do Irã”, relacionou Estevez. Para ele, os conflitos e tensões envolvendo potências internacionais afetam diretamente povos latino-americanos, que enfrentam consequências históricas de exploração e violência.
‘Pirataria dos EUA’ no mar do Caribe
Representando o Instituto Paz e Socialismo, Antonio Vianna afirmou que o ato pretende chamar atenção para princípios constitucionais brasileiros e normas internacionais, como o direito à autodeterminação dos povos. Segundo ele, países latino-americanos estão diante uma nova etapa de intervenções externas semelhantes às registradas ao longo do século 20.
Um exemplo disso seria justamente o que ele classifica como “pirataria ocorrida no Caribe, envolvendo o roubo de petróleo e o sequestro do navio que transportava essa carga”, afirmou.
Para Pedro Batista, representante do Comitê Anti-Imperialista, “vimos o sequestro do navio petroleiro como se eles [EUA] fossem piratas literalmente do Caribe, roubando petróleo”, destacando que a carga seria destinada a Cuba.
Segundo o militante, a manifestação em Brasília expressou solidariedade aos povos da Venezuela, de Cuba, da Nicarágua, do Irã e da Palestina, que, segundo ele, seriam vítimas de ações dos Estados Unidos nos últimos anos.
Durante o ato, foi mencionado que desde a Doutrina Monroe – política adotada pelos Estados Unidos em 1823 para justificar sua influência e intervenções na América Latina – a região tem sido tratada como área estratégica de domínio.
“Não somos e nunca seremos o seu quintal, assim como eles fizeram com o povo palestino nos últimos 2 anos, que deixaram mais de 20 mil crianças assassinadas”, afirmou Batista.
O militante do Comitê Anti-Imperialista também mencionou os acontecimentos recentes no Brasil, criticando as agressões no Congresso Nacional, no qual os deputados do Psol Glauber Braga, Sâmia Bomfim e Célia Xakriabá foram agredidos. “Aqui no Brasil não podemos esquecer os lacaios que nesta semana agrediram deputados, espancaram a imprensa, tiraram o sinal da TV Câmara do ar”, completou Batista.
Thomas Carrieri, da Federação Mundial das Juventudes Democráticas, também mencionou a violência enfrentada pela população palestina e criticou duramente o presidente norte-americano Donald Trump, afirmando que “essa pessoa que mandou invadir um navio e roubar petróleo de um irmão nosso, está em listas de registro de avião que ia para uma ilha para turismo sexual com menores de idade”, citando o caso de envolvimento com Jeffrey Epstein.
Os participantes afirmaram que pretendem levar novas mobilizações às ruas caso tensionem novamente as relações entre Estados Unidos e Venezuela ou outras nações latino-americanas.

