POLÍTICA CULTURAL

Consecult divulga candidatos e locais de votação para eleição do biênio 2026/2028 na Paraíba

Estado ainda figura entre aqueles com menor volume de recursos destinados ao fomento cultural

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Consulta pública fortalece participação social e debate sobre investimentos em cultura na Paraíba
Consulta pública fortalece participação social e debate sobre investimentos em cultura na Paraíba | Crédito: Suplan/PB

A Secretaria da Cultura da Paraíba divulgou a relação de candidatas e candidatos habilitados, bem como os locais de votação da eleição do Conselho Estadual de Política Cultural (Consecult) para o biênio 2026/2028. A eleição será realizada na próxima quarta-feira (17), das 9h às 17h, com votação presencial em 48 municípios do estado, incluindo João Pessoa, onde o processo ocorre no Espaço Cultural José Lins do Rêgo.

Podem votar eleitoras e eleitores a partir de 16 anos, mediante apresentação de documento oficial com foto, para escolher 12 titulares e 12 suplentes da sociedade civil que irão compor o Consecult, instância responsável por acompanhar, deliberar e propor diretrizes para as políticas públicas de cultura na Paraíba.

Acompanhe os nomes das pessoas habilitadas como candidatas, conforme divulgado oficialmente pelo estado: (Governo da Paraíba). (As informações detalhadas sobre endereços, municípios e regionais podem ser consultadas no site do Consecult).

1ª regional de cultura
Andrea Serafim Rodrigues (Andrea Serafim)
Célia Domiciano Dantas Montenegro (Célia Domiciano)
Elioenai Gomes do Nascimento (Nai Gomes)
Kennedy Franklin Oliveira (Kenny Oliver)
Kleiton de Araújo Santos (Kleiton Santos)
Rodolfo da Silva Santana (Rodolfo Potiguara)

2ª regional de cultura
Bianca Cristina da Silva Gregório (Bianca Quilombola)
Handerson da Souza do Nascimento (Handerson Nascimento)
Joilson Custódio da Silva (Joilson Custódio)

3ª regional de cultura
Erasmo Rafael da Costa Alcantil (Erasmo Rafael)
Heverton Rafael Santiago Cândido (Heverton Rafael)
Jeferson Araújo dos Santos (Bboy Snoop)

4ª regional de cultura
Eduardo de Farias Santos (Eduardo Farias)
Maria Gorete de Macedo Lira (Gorete Lira)

5ª regional de cultura
Jesica Cheirano Guadalupe (Guadalupe Merki)
Ivandro da Costa Sales (Ivandro Sales)
Rivers Douglas Soares Feitoza (Douglas do Pife)

6ª regional de cultura
Francisco de Assis França Lima (Noninho)
Hiury Évines de Souza Lucena (Hiury Souza)
Jaquivaldo dos Santos Patricio (Jaquivaldo dos Santos Patricio)

7ª regional de cultura
Carlos Victor Ferreira Coutinho (Victor Ferreira)
Demetrios Caxias de Lacerda (Demetrios Caxias)
Maria Cleuneide Gomes da Silva Minervino (Cleo Gomes)
José Adailton Nunes (Adailton Nunes)

8ª regional de cultura
Genaldo Silva Lima (Genaldo Lima)

9ª regional de cultura
Elizangela Duarte da Silva (Angela Duarte)
Rafaella Lopes Gonçalves Bandeira (Rafaella Lopes)

10ª regional de cultura
Cleyson Moura Gomes de Sousa (Cleyson Gomes)
Luiz Tôrres Cacau (Luiz Cacau)

11ª regional de cultura
José de Arimatéia Guimarães da Nóbrega (Ari Nóbrega)
Maria Eduarda de Sousa dos Santos (Maria Eduarda)
Sandro Alberto Costa Mandú (Sandro Mandú)

12ª regional de cultura
Eduardo Luís Alves do Nascimento (Eduardo Nask)
Hildemarcio do Nascimento Lins (Márcio Lins Semear)

De acordo com a presidente da Comissão Eleitoral do Consecult-PB, Érika Catarina, é importante que a sociedade compareça ao pleito. “É importante frisar a atuação reiterada do conselho nas tomadas de decisões da secretaria de estado da cultura no que diz respeito a como são escoados os recursos que chegam à nossa instituição pública. Todas as ações da Secretaria passam pelo crivo do conselho que se reúne mensalmente, durante o ano todo. O Plano de Aplicação de Recursos para o segundo ciclo de investimentos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por exemplo, foi aprovado durante reunião extraordinária do conselho, que é o que valida juridicamente nosso planejamento enquanto órgão de fomento”, ressaltou ela.

O Conselho Estadual de Política Cultural é uma instância central do sistema nacional de cultura e atua como espaço de participação social, controle democrático e formulação de políticas públicas. A escolha de seus membros ocorre em um contexto de debates intensos sobre financiamento, prioridades e o papel da cultura no desenvolvimento econômico e social da Paraíba. A divulgação antecipada dos locais de votação busca garantir transparência e ampliar a participação do conjunto da população interessada.

A importância do conselho para a política cultural

Ativistas e agentes culturais destacam que o conselho tem papel estratégico na definição de rumos da política cultural no município, no estado e na articulação nacional. Para Giva, atual presidente do Conselho Municipal de Politica Cultural de João Pessoa, a eleição vai além de uma escolha formal e envolve responsabilidade direta sobre o uso de recursos públicos e a defesa de direitos.

Segundo ele, os estados e municípios que integram o sistema nacional de cultura assumem contrapartidas aos recursos investidos pelo governo federal, mas essa obrigação nem sempre é cumprida. Em sua avaliação, conselhos fortes e comprometidos são fundamentais para pressionar por investimentos adequados e para garantir que a cultura seja tratada como política estruturante.

“A política cultural é fundamental em diversos aspectos. Existe um impacto econômico muito claro. Cada R$ 1 investido na cultura retorna cerca de R$ 4 para o município ou para o estado, dinamizando setores como hotelaria, bares, transporte e serviços digitais. Além disso, a cultura impacta diretamente a saúde mental das pessoas, criando espaços de sociabilidade, lazer e reflexão coletiva em um contexto de adoecimento social crescente”, afirmou.

Baixo investimento público no setor

Giva também chamou atenção para o contraste entre o alto nível de envolvimento da população paraibana com o fazer cultural e o baixo investimento público no setor. A Paraíba figura entre os estados com menor volume de recursos destinados ao fomento cultural, realidade que, segundo o ativista, não corresponde à dedicação de fazedores e fazedoras espalhados pelo estado.

Para Antonio Deol, ativista cultural do teatro, o momento exige reflexão profunda sobre os modos de escolher representações políticas. Ele avalia que decisões recentes do Congresso Nacional têm sido contrárias à vontade popular e que esse cenário reforça a necessidade de atenção também em instâncias como o Conselho Estadual de Política Cultural.

“Mais do que nunca, precisamos pensar e repensar como escolhemos nossas representações. No conselho, é essencial eleger pessoas conectadas com a ideia da cultura como prática social e política, não apenas como entretenimento. A arte precisa ser entendida como algo comprometido com transformações sociais e com aquilo que reverbera na vida da sociedade como um todo”, declarou.

Avaliação semelhante foi feita por Caio Ceragioli, também ativista cultural do teatro. Ele destacou que o processo eleitoral, realizado a cada dois anos, é fundamental para a renovação das representações e para garantir a participação direta de novos agentes culturais nas decisões públicas.

“O Conselho Estadual de Cultura tem uma importância muito grande no sentido de fazer o acompanhamento da política cultural do Estado da Paraíba. Ainda mais nos últimos anos, com a implementação de leis federais como a Política Nacional Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo, o conselho se lembra como um dos principais instrumentos para pensar a aplicação dessas políticas e também para tensionar a própria política local, quando gestores não compreendem bem a dimensão da participação popular”, afirmou.

Para Ceragioli, ampliar o envolvimento da população no processo eleitoral é um desafio urgente. “Essa votação é aberta a toda e qualquer pessoa (a partir dos 16 anos). É muito importante que trabalhadores e trabalhadoras da cultura se aproximem dessa construção da política pública. Ainda é um processo incipiente em termos de participação e divulgação, mas é fundamental fortalecer isso, porque são essas pessoas eleitas que vão nos representar e defender os interesses da cultura nos próximos dois anos”, concluiu.

Editado por: Heloisa De Sousa

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