A frustração pelo fraco desempenho do governo de Gabriel Boric foi uma das razões para os eleitores chilenos elegerem José Antonio Kast no segundo turno das eleições presidenciais do país neste domingo (14). Para o especialista em comunicação política Amauri Chamorro, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o país optou pela escolha da extrema direita principalmente pelo fracasso do governo de Gabriel Boric.
“O presidente foi muito fraco na sua gestão, não teve muita entrega como havia prometido, teve uma crise profunda na questão da segurança pública, que ele não conseguiu gerenciar. A sociedade chilena criou uma expectativa que entregou ao Boric, mas que foi um desastre, e a população, de uma maneira geral frustrada com o presidente da República, decide optar por um governo de direita”, destacou Chamorro, que atuou em diversas campanhas políticas na América Latina.
Com 95,18% das urnas apuradas, Kast tinha 58,3% e Jara, 41,7%. O Chile será comandado pela extrema direita pela primeira vez desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90). Chamorro aponta que foi uma votação expressiva, com a maior participação da população chilena desde a volta da democracia, depois de 1989. “Kast ganha uma eleição muito legitimado, com discurso de ódio e uma gestão econômica ultraneoliberal”, acrescentou.
“Diferente de Javier Milei e Jair Bolsonaro, José Kast não é caricato. Entretanto, do ponto de vista ideológico, é mais radical que o líder da Argentina. Apesar da sua posição ideológica ser mais dura, vemos uma atuação mais pragmática, como foi durante seu discurso pedindo à sua militância para respeitar Jara e quem pensa diferente”, explica.
Segundo o analista, sua posição se deve ao fato do Congresso possuir uma visão diferente, “ele sabe que uma virulência por parte da sua militância, que é pinochetista, genocida e apoia o genocídio, como foi verbalizado, para criar uma capacidade de governar é necessário ser um pouco mais pragmático e menos radical”.
A partir disso, Chamorro aposta que seu governo terá uma orientação de perseguição aos imigrantes, ao invés de quem pensa diferente. Devido às grandes imigrações, principalmente de venezuelanos, peruanos, bolivianos, colombianos e haitianos, o Chile sofreu uma “decomposição na sociedade e jogou nas costas dessas pessoas a crise econômica e aumento da violência que o país sofre”.
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