Desde a segunda-feira (15), petroleiros de todo o país fazem greve em resposta aos entraves na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025-2026 com a Petrobras. Na Bahia, houve forte adesão ao movimento paredista, com paralisações nos campos de produção terrestre de petróleo de Taquipe, Bálsamo, Santiago, Araçás e Buracica, localizados, respectivamente, nos municípios de São Sebastião dos Passé, Esplanada, Catu, Araçás e Alagoinhas. No Torre Pituba, em Salvador, sede administrativa da Petrobrás no estado, houve ato político e atraso das atividades.
A greve foi deflagrada por tempo indeterminado. Os petroleiros exigem o atendimento dos três eixos da campanha reivindicatória: distribuição justa da riqueza gerada; fim dos Planos de Equacionamento dos Déficits da Petros (PEDs), que, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), penaliza aposentados e pensionistas; e reconhecimento da Pauta pelo Brasil Soberano, que envolve a defesa de uma Petrobrás pública e comprometida com o desenvolvimento nacional.

Segundo os petroleiros, a proposta de acordo mais recente apresentada pela Petrobras mantém o arrocho salarial, aprofunda a desvalorização dos trabalhadores e ignora pautas centrais da categoria.
Para Elizabete Sacramento, coordenadora geral do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras da Bahia (Sindipetro-BA), a forte adesão ao movimento na Bahia, e em todos os cantos do país, evidencia que o sentimento de indignação está presente.
“A Petrobrás tem gerado lucros volumosos e distribuído dividendos como poucas empresas no mundo. Mas essa riqueza, que foi construída pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras, não tem chegado aos nossos bolsos. O momento de negociação do ACT é uma oportunidade para que essa injustiça seja remediada, mas a empresa não tem sinalizado neste sentido. É greve até que a Petrobrás respeite aqueles e aquelas que realmente trabalham pelo desenvolvimento do país”, salienta.
Greve é legítima
No Torre Pituba, Luciomar Machado, diretor de Comunicação do Sindipetro-BA e vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-BA), também lamenta a postura da empresa e detalha o processo de negociação até o momento.
“Infelizmente, a negociação foi muito demorada neste ano. A Petrobras esperou até o último dia de nossas assembleias para apresentar uma proposta muito aquém da nossa pauta, com nada de novo. Exceto um reajuste que apenas repõe a inflação. É importante que a luta continue, que nós tenhamos consciência da importância dessa mobilização, que tenhamos maior poder de negociação e consigamos resolver o mais rápido possível”, destaca.
Para o deputado estadual Radiovaldo Costa (PT), a greve é legítima, mesmo durante um governo federal progressista.
“Mesmo em um governo que é nosso, um governo que ajudamos a eleger e que tem feito ações importantes, como a isenção do Imposto de Renda e a redução da jornada de trabalho, não significa que a gente não tem que lutar, que a gente não tem que fazer greve, que a gente não tenha que cobrar melhorias e ações em prol da classe trabalhadora”, argumenta. “A greve se soma à luta pelos empregos, à luta pelos investimentos e à luta pela permanência da Petrobras aqui na Bahia”, aponta o parlamentar.
Outro lado
Em nota enviada à reportagem do Brasil de Fato, a Petrobras destacou que mantém canal de diálogo permanente com as entidades sindicais. “Neste momento, a empresa está em negociações de seu Acordo Coletivo de Trabalho e tem participado regularmente de reuniões com as federações sindicais para discutir sua proposta e a pauta reivindicatória”, diz o texto.
A companhia confirma que apresentou nova proposta em 9 de dezembro e indica que o texto “contempla avanços para a categoria”. A empresa disse ainda que pretende concluir o novo acordo na mesa de negociações com as entidades sindicais.
“A Petrobras respeita o direito de manifestação dos empregados e, em caso de necessidade, adotará medidas de contingência para a continuidade de suas atividades.”
