LUTA E MOBILIZAÇÃO

Caminhada em João Pessoa destaca papel da sociedade na eliminação de feminicídios e violências contra as mulheres

Ato neste sábado (20), na Praça Coqueiral, no bairro Mangabeira, ofertará serviços para formalização de denúncias

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Dados de 2024, da 19ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostram que foram registrados 1.492 feminicídios no país
Dados de 2024, da 19ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostram que foram registrados 1.492 feminicídios no país | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dando continuidade às mobilizações pelo fim dos feminicídios e das violências contra as mulheres, a Rede Estadual de Atenção às Mulheres e Meninas Vítimas da Violência (Reamcav), coordenada pela Secretaria das Mulheres e da Diversidade Humana (SEMDH-PB), promove a Caminhada por Mim, por Elas e por Todas neste sábado (20), em João Pessoa.

A mobilização terá concentração às 7h, no Mercado Público de Mangabeira. Às 9h, o ato segue em direção à Praça do Coqueiral, local onde haverá falas políticas, programações culturais e serviços nos quais as mulheres poderão formalizar denúncias.

Para Lídia Moura, secretária das Mulheres e da Diversidade Humana, o principal desafio da Reamcav é exatamente a ampliação das denúncias. Ela também reforça que o ato fará um chamamento aos homens e levará informações às mulheres, a fim de que “a gente se mantenha atenta, alerta e fazendo um chamamento permanente à sociedade, para ela se mobilizar pelo fim das violências contra as mulheres”.

Cely Andrade, que compõe a Reamcav enquanto feminista autônoma, salienta que as ruas sempre foram “trincheiras de luta”. “Os atos são instrumentos que temos para dizer que estamos aqui, que queremos viver, que nos respeitem, que a sociedade como um todo precisa dar um basta às violências contra as mulheres, basta de nos matar, basta de feminicídio. É um momento de envolver todo mundo nesse processo, nessa luta. É também um grito por aquelas que já não estão mais aqui e que foram mortas simplesmente por serem mulheres”, ressalta.

Segundo Moura, além de materiais que abordam o enfrentamento às violências, na Praça do Coqueiral estarão presentes a Unidade Móvel da Polícia Militar, do Programa Integrado Patrulha Maria da Penha, a Unidade Móvel da Polícia Civil, com as delegacias de atendimento, representação do Centro de Referência Municipal Ednalva Ribeira Bezerra, a Ronda Maria da Penha e o Centro de Referência de Políticas de Prevenção e Enfrentamento às Violências contra as Mulheres da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Na programação cultural estão confirmadas as presenças do grupo Maracatu Nação Pé de Elefante, da cantora Glaucia Lima, dos cantores Yuri Carvalho e Adeildo Vieira, como também de batuqueiras independentes.

“Esse ato é também para dizer que existem, sim, políticas públicas de proteção às mulheres por parte dos governos, tanto a nível federal como estadual e municipal. Agora precisamos avançar cada vez mais para que essas políticas cheguem à ponta. Os serviços existem para amparar essas mulheres e ajudá-las a romper o ciclo de violência”, pontua Andrade.

A Reamcav é composta por representações governamentais, da sociedade civil, do sistema de Justiça e feministas autônomas. E, segundo Andrade, a rede existe desde a década de 1990.

Dados da violência contra a mulher

De acordo com o Mapa Nacional da Violência Contra a Mulher, pesquisa elaborada pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, ligado ao Senado Federal, o Brasil registrou 718 feminicídios, de janeiro a junho de 2025. No mesmo período, foram contabilizados 187 estupros por dia contra mulheres, o que totaliza 33.999 casos.

Já 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do Instituto DataSenado, revelou que, em 2025, 27% das mulheres brasileiras sofreu algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem. Conforme o estudo, 70% das mulheres afirmam que o Brasil é um país muito machista.

Esse contexto de casos de violências, machismo e misoginia – o ódio contra as mulheres – também é demonstrado nos resultados da 19ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2024. Foram 1.492 feminicídios, desses 63,6% das vítimas eram mulheres negras. Na Paraíba, no ano de 2024, ocorreram 26 feminicídios. Três dessas mulheres tinham medida protetiva ativa no momento do óbito.

Lídia Moura enfatiza que: “Nós precisamos que mais mulheres denunciem, porque aquelas mulheres que denunciaram, e que estão protegidas pela rede, essas não morrem. O índice de feminicídio dentre as mulheres atendidas, tanto na Patrulha Maria da Penha, quanto na Casa Abrigo e no Centro de Referência Estadual é zero.”

Em caso de violência doméstica, estão disponíveis os seguintes números para denúncias:

  • Ligue 190: urgência, no momento da violência – Polícia Militar
  • Ligue 180: informações e denúncias – Ministério das Mulheres
  • Ligue 197: para denúncia anônima – Polícia Civil
  • Ligue 155: para denúncias; canal criado pelo governo da Paraíba

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Editado por: Heloisa De Sousa

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