A comunidade do Sítio Minadouro, na zona rural de Ingazeira, no Sertão do Pajeú, recebe, a partir desta sexta-feira (19), a sétima edição do Festival Chama Violeta, evento de artes integradas que reúne 15 atrações do Brasil e da Argentina, com espetáculos de circo, teatro, música, poesia, cinema, literatura e atividades formativas. A programação segue até domingo (21).
Coordenado pela artista pernambucana Odília Nunes, o festival ocupa terreiros, quintais, espaços comunitários e o alpendre da casa da idealizadora, envolvendo cerca de 60 artistas e técnicos de Pernambuco, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, São Paulo e Argentina, sob o tema “Entendi que amor é escolha”. As atividades começam a partir das 8 horas, com apresentações em escolas municipais da região
O tema desta edição orienta uma curadoria de caráter afetivo e intuitivo, segundo sua idealizadora. A escolha por grupos familiares dialoga com histórias pessoais e coletivas que atravessam o festival, como os 50 anos de casamento dos pais da coordenadora e de um casal integrante do Samba de Coco de Trupé de Arcoverde, grupo presente desde a primeira edição, retornando mais uma vez ao festival.
Além do Trupé, a programação inclui o duo Piruá e Paraqueta, com Rodrigo Bruggemann e Amora Maux, pai e filha do Rio Grande do Norte; o casal Anelise Mayumi e Douglas Iesus, da Bahia, com o espetáculo de dança Embalanceio: dançar sonhos pequeninos; a Cia Bode com Pequi, formada por Pedro Milhomens, Clá Solar e a filha Aruna, no espetáculo Caminhos; e a Cia das Marionetes, da Argentina, com a Antologia das Marionetes.
Integram também a grade de ações o espetáculo Vereda dos Mamulengos, da Casa Moringa (DF), e o solo Decripolou Totepou, de Odília Nunes, que completa 20 anos de estreia. Para a artista, retornar com o trabalho ao Minadouro tem um significado especial. Este foi seu primeiro solo e, ao longo dessas duas décadas, muitas crianças da comunidade assistiram ao espetáculo, enquanto uma nova geração ainda não o conheceu.
A partir da sexta-feira à tarde, as atividades acontecem ao ar livre em espaços como o Terreiro de Mariquinha, o Terreiro de Seu Expedito e Dona Lourdinha e o Terreiro de Edileuza, além do alpendre da casa de Odília. Já as oficinas são realizadas na sede da Associação de Agricultores do Minadouro e incluem A voz da poesia, com Isabelly Moreira, de São José do Egito, e Confecção de Calungas de Pano, com Catarina Calungueira, do Rio Grande do Norte.
As apresentações ocorrem sempre às 17 horas e 19 horas, com shows encerrando a programação da sexta e do sábado, com Luana Flores, da Paraíba, apresentando o show Nordeste Futurista, e o Samba de Coco de Trupé de Arcoverde, com o espetáculo Sons de Resistência.
No domingo (21), a programação inclui momentos de partilha e reflexão. A partir das 14h, no alpendre da casa de Odília, acontece a roda de conversa Vô, deixa minha mãe brincar, um diálogo sobre infâncias com a jornalista, escritora e documentarista Gabriela Romeu, de São Paulo. Em seguida, o Cineclube Minadouro recebe a estreia do filme Um dia Havia de Ver o Mar, dirigido por Odília Nunes, que registra uma história real vivida na comunidade e o sonho coletivo de um menino de conhecer o mar.
O Chama Violeta integra o projeto No Meu Terreiro Tem Arte, criado por Odília Nunes em 2015 com o objetivo de promover intercâmbio cultural, residências artísticas, festivais e ações formativas no Sítio Minadouro. A iniciativa já foi reconhecida com o Prêmio Pernalonga de Teatro, do Governo de Pernambuco, em 2019, e com o prêmio Inspirar, do Instituto Neoenergia, em 2021, voltado a projetos liderados por mulheres.
Mesmo sem incentivo público nesta edição, o Festival Chama Violeta se mantém graças à parceria entre os artistas e grupos participantes, que abriram mão do cachê para garantir a realização do evento. A proposta é fortalecer o intercâmbio cultural e o acesso à diversidade de linguagens artísticas por crianças, jovens, adultos e idosos da comunidade, que, ao longo dos anos, passou a se reconhecer como parte ativa do festival.
Artista multifacetada, Odília Nunes é gestora cultural, palhaça, atriz de teatro e cinema, bonequeira, diretora, dramaturga e cordelista, natural do Sertão do Pajeú. Desde 2015, desenvolve o projeto No Meu Terreiro Tem Arte, levando espetáculos e oficinas a comunidades rurais e periféricas. Atualmente, integra a Cia do Tijolo, de São Paulo, e retorna ao Minadouro para reafirmar, com o Chama Violeta, o compromisso com a arte como encontro, escolha e cuidado coletivo.
