“Típico crime de colarinho sujo” da extrema direita, define o cientista político Rudá Ricci sobre a movimentação suspeita investigado pela Polícia Federal contra os deputados Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, e Carlos Jordy (PL-RJ).
Ricci relembra ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que o caso de locação de automóveis não é novidade. “Se vasculharmos a campanha de 2018 da extrema direita, haverá outros exemplos de financiamentos”, afirma.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino publicou nesta sexta-feira (19) a decisão de quebrar o sigilo bancário, referente ao período de dezembro de 2018 a dezembro de 2024. Na decisão, o magistrado cita mensagens entre assessores e uma empresa de aluguel de carros falando em um pagamento “por fora” para a companhia.
Os dois parlamentares são acusados de desviar a cota parlamentar – verba destinada a despesas como aluguel de carros e alimentação. Para determinar a quebra do sigilo bancário, o STF usou as investigações da Polícia Federal que deram origem à operação desta sexta, chamada Galho Fraco.
“É um típico crime de colarinho sujo”, declara o cientista político. Para ele, haverá duas consequências: “a primeira, que o próprio Jordy tentará enquadrar como perseguição política; e a segunda, que o poder de barganha de Sóstenes e da grande bancada do PL agora ficou menor”.
“Esse é o segundo elemento muito importante: a base da liderança do Sóstenes, estando contaminada, vira um alvo. E, por ser líder, ele contamina o poder de barganha do PL”, explica.
A PF apreendeu, nesta sexta-feira (19), cerca de R$ 400 mil em espécie na casa do líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ).
“Vejo duas saídas: uma delas é continuar sendo violento; a outra, baixar a bola. Dessa forma, podemos ter eleições mais civilizadas por parte da extrema direita no ano de 2026”, acrescenta. Ricci relembra que “a política não é exatamente o que aparece em cena, é o que acontece nos bastidores”.
A operação Galho Fraco acontece na esteira da operação Rent a Car, que investigava lavagem de dinheiro e organização criminosa no setor de aluguel de carros, com ligações a assessores parlamentares. Em dezembro de 2024, a PF chegou a pedir para incluir os congressistas nas operações, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) não via elementos suficientes para incluir Sóstenes e Jordy nas investigações.
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