Acessibilidade

‘Recife para Todos Verem’ traz audiodescrição de obras de arte públicas espalhadas pelo Centro

Projeto disponibiliza acessibilidade comunicacional por mais de 30 obras espalhadas pela capital pernambucana

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Projeto de acessbilidade já está disponível desde sábado (20)
Projeto de acessbilidade já está disponível desde sábado (20) | Crédito: Aurélio Velho/Divulgação

O Centro do Recife passa a contar com uma iniciativa que amplia o acesso à arte para pessoas cegas e com baixa visão. Desde o último sábado (20), o projeto Recife para Todos Verem disponibiliza audiodescrição gratuita de mais de 30 obras de arte espalhadas por espaços públicos da capital pernambucana. 

Monumentos, esculturas, murais e grafites localizados em áreas como o Bairro do Recife, Santo Antônio, Boa Vista e Santo Amaro poderão ser acessados por meio de dispositivos móveis, através do site www.recifeartepublica.com.br, reforçando a ideia da cidade como um museu a céu aberto, agora mais inclusivo.

A proposta se estrutura a partir de um audioguia que sugere sete roteiros para caminhadas pelo centro da cidade. Cada percurso reúne faixas de áudio com informações introdutórias sobre os territórios visitados, a descrição detalhada das obras de arte, dados sobre os artistas e orientações de deslocamento, promovendo uma experiência acessível e educativa. Os trajetos passam por locais emblemáticos como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus, a Avenida Rio Branco, a Ponte Maurício de Nassau, a Rua dos Amores, a Rua da Aurora e o Bairro da Boa Vista.

Entre as obras contempladas estão referências marcantes da paisagem urbana recifense, como a Rosa dos Ventos, no Marco Zero, esculturas de Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto e Luiz Gonzaga, além de murais e grafites que valorizam a arte urbana contemporânea. Como novidade em relação a iniciativas anteriores, o projeto inclui megamurais e painéis de grafite, a exemplo dos trabalhos localizados na Rua dos Amores e no bairro da Boa Vista, celebrando a produção artística de rua e sua relação com o cotidiano da cidade.

Embora estejam em espaços públicos e sejam, em tese, de acesso democrático, essas obras raramente integram ações educativas voltadas a pessoas com deficiência visual ou intelectual. O Recife para Todos Verem se coloca como uma forma de lidar com essa lacuna, propondo uma ação de inclusão e educação patrimonial que amplia as possibilidades de fruição da arte pública.

O projeto tem como ponto de partida o mapeamento realizado pelo Recife Arte Pública, iniciativa criada em 2013 que cataloga esculturas e murais da cidade. Para Lúcia Padilha, idealizadora do projeto, a acessibilidade é um passo fundamental para democratizar esse acervo. “Quando fizemos o Recife Arte Pública, percebemos como havia essa ausência de acessibilidade para pessoas com deficiência visual e intelectual. Esse acervo é um patrimônio cultural de toda a sociedade e tem grande potencial educativo. Com a audiodescrição, garantimos que mais pessoas possam apreciá-lo e também conhecer detalhes sobre cada obra e seus artistas”, afirma. A expectativa é que esta seja apenas a primeira etapa de um trabalho que alcance outras áreas da cidade.

As audiodescrições foram elaboradas por Vanessa Marques e Luanna Brennand, da Ferva Acessibilidade, e contaram com a consultoria de Roberto Cabral e Michell Platini, pessoas com deficiência visual, assegurando que os conteúdos atendam de forma qualificada ao público-alvo. O Recife para Todos Verem é realizado pela equipe do Recife Arte Pública, em parceria com a Lupa Cultural e a Ferva Acessibilidade, com incentivo da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital Recife Criativo da Prefeitura do Recife.

Editado por: Rostand Tiago

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