‘Roubo de petróleo'

Terceiro petroleiro venezuelano é interceptado pelos EUA, apontam agências

Só neste domingo (21) foram duas ocorrências; Caracas acusa Casa Branca de roubo e diz que acionará Nações Unidas

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Petroleiros ancorados no Lago Maracaibo, estado venezuelano de Zulia, em 18 de dezembro de 2025
Petroleiros ancorados no Lago Maracaibo, estado venezuelano de Zulia, em 18 de dezembro de 2025 | Crédito: Alejandro Paredes/AFP

Em menos de 24 horas, o terceiro roubo de um navio petroleiro em águas internacionais perto da Venezuela foi noticiado por agências de notícias. A Reuters disse ter recebido a confirmação de autoridades estadunidenses, responsáveis pela ação. A Bloomberg informou que se trata do petroleiro Bella 1, de bandeira panamenha, sancionado pelos Estados Unidos e que estava a caminho da Venezuela para carregar. As agências citam fontes anônimas.

Em resposta ao sequestro do petroleiro Centuries nesse sábado (20), o segundo a ser interceptado, o governo da Venezuela caracterizou a ação da Guarda Costeira estadunidense como “ato de pirataria” e denunciou o desaparecimento forçado da sua tripulação por efetivos militares dos Estados Unidos.

“O Direito Internacional prevalecerá, os responsáveis por esses graves fatos responderão perante a Justiça e a História por sua conduta criminosa”, afirmou o governo venezuelano, em comunicado divulgado pela vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez.

A nota acrescenta que Caracas formalizará denúncias no Conselho de Segurança das Nações Unidas e demais organismos multilaterais. “O modelo colonialista que o governo dos Estados Unidos pretende impor com esse tipo de prática fracassará e será derrotado pelo povo venezuelano”, diz o texto.

Os governos venezuelano e estadunidense ainda não se pronunciaram sobre a terceira interceptação.

Bloqueio “total e completo”

Na última semana, Trump anunciou o bloqueio “total e completo” a todos os navios-tanque de petróleo sancionados que entram e saem do território venezuelano.

A primeira embarcação foi interceptada pelos Estados Unidos em 10 de dezembro. Após o assalto, a Casa Branca anunciou a sanção de seis empresas de navegação que operam no setor petrolífero venezuelano.

Estima-se que a Venezuela tenha reservas de petróleo de cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mais do que qualquer outra nação.

Divergência regional

Líderes do Mercosul divergem sobre a escalada militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. A questão marcou a abertura da cúpula, realizada no sábado (19) em Foz do Iguaçu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem adotado tom crítico à ofensiva.

“Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados”, afirmou.

Segundo o presidente brasileiro, “uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo.”

*Com informações da agência internacional Deutsche Welle

Editado por: Monyse Ravena

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