Após ter seu segundo navio petroleiro interceptado em águas internacionais, o governo da Venezuela afirmou nesse sábado (20) que o Irã ofereceu apoio para enfrentar “a pirataria e o terrorismo internacional” dos Estados Unidos. A demonstração ocorreu em uma conversa por telefone entre os chanceleres dos dois países.
O Irã é um dos principais aliados internacionais do presidente Nicolás Maduro, que denuncia um plano de Washington para tirá-lo do poder. Desde setembro, o presidente Donald Trump intensificou as agressões contra o país com uma série de operações militares no mar do Caribe e, mais recentemente, também no Oceano Pacífico.
O telefonema abordou “os acontecimentos recentes no Caribe, especialmente as ameaças, os atos de pirataria dos Estados Unidos e o roubo de navios carregados com petróleo venezuelano”, disse o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil.
A relação entre Irã e Venezuela se estreitou com a chegada de Hugo Chávez ao poder e foi mantida por seu sucessor, Nicolás Maduro. O Irã já havia ajudado a Venezuela no passado, com o envio de combustível, alimentos e medicamentos.
“A Venezuela recebeu uma demonstração plena de solidariedade por parte do governo do Irã, assim como sua oferta de cooperação em todos os âmbitos para enfrentar a pirataria e o terrorismo internacional que os Estados Unidos buscam impor por meio da força militar”, disse o chanceler, após a conversa com o colega Abbas Araghchi.
China e Rússia, outros grandes aliados da Venezuela, também expressaram solidariedade a Maduro diante das ações norte-americanas. Trump acusa sem provas o governo bolivariano de “narcoterrorismo” e tem usado a mesma justificativa para cometer crimes e violar princípios do direito internacional.
Navios interceptados
Desde o começo do mês, os Estados Unidos interceptou dois navios petroleiros que transportavam óleo cru venezuelano, como parte de um “bloqueio total” decretado pelo presidente Trump.
A segunda embarcação interceptada pela Guarda Costeira americana nesse sábado (20), chamada de Centuries, transportava 1,8 milhão de barris de petróleo bruto da Venezuela. O navio tem bandeira panamenha.
Em comunicado, o governo venezuelano afirmou que os responsáveis por atos de pirataria em águas internacionais responderão perante a Justiça e a História.
*Com informações da AFP
