O 35º Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra foi realizado na Paraíba entre os dias 18 e 20 de dezembro, no Assentamento Tiradentes, localizado no município de Mari. O encontro reuniu militantes de assentamentos e acampamentos de diversas regiões do estado, além de apoiadores, representantes sindicais e instituições públicas, com o objetivo de analisar a conjuntura política, debater os desafios da Reforma Agrária Popular e fortalecer a organização do movimento nos territórios.
Segundo a coordenação estadual do MST/PB, o encontro funcionou como um espaço de síntese política e organizativa, articulando formação, debate estratégico e definição de encaminhamentos para o próximo período de lutas.
Atividades simbólicas e debates políticos abordaram o modelo de desenvolvimento no campo brasileiro. Dirigentes e militantes do movimento atribuíram ao agronegócio a responsabilidade pela concentração de terras e por impactos ambientais associados à destruição de biomas e à contaminação de solos e águas.
Em síntese, a avaliação apresentada é de que “quem destrói a natureza é o agronegócio, enquanto a tarefa histórica do povo Sem Terra é recompor os territórios, cuidar da terra e defender a vida como um projeto coletivo” conforme foi expresso por integrantes da coordenação estadual durante a mística de abertura.

Agroecologia e organização da produção
Os desafios do setor de produção foram debatidos a partir da defesa da agroecologia como eixo estruturante da Reforma Agrária Popular. Dilei Schiochet, integrante da coordenação estadual do MST, afirmou que ampliar a agroecologia é uma necessidade estratégica diante da crise alimentar e ambiental: “A agroecologia precisa ser massificada como base da Reforma Agrária Popular, garantindo alimentos saudáveis, fortalecendo a organização da produção e enfrentando o modelo predatório imposto pelo capital”, disse Schiochet, destacando ainda a importância da cooperação entre os assentamentos.

Crise climática e Plano Nacional de Plantio de Árvores
A discussão sobre a crise climática ocupou lugar central na programação. Matheus Mendes apresentou os objetivos do Plano Nacional de Plantio de Árvores, apontando a iniciativa como uma resposta concreta à degradação ambiental.
De acordo com Mendes, “o plano é uma ação estratégica para recuperar áreas degradadas, proteger as águas, enfrentar a crise climática e fortalecer a soberania alimentar nos territórios da Reforma Agrária”, relacionando o plantio de árvores à produção de alimentos e à defesa dos bens comuns.
A experiência do Plano de Plantio na Paraíba também foi abordada por Janaína Kelly, que relatou os desafios da implementação no estado. Segundo ela, “a participação das comunidades é fundamental para que o plano avance e se consolide como uma política construída a partir dos territórios”.
Centralidade da luta pela terra
A necessidade de ampliar a luta pela terra foi reiterada ao longo do encontro. Jaime Amorim, coordenador nacional do movimento, destacou que a ocupação segue sendo compreendida pelo movimento como instrumento legítimo para garantir a função social da terra e enfrentar a fome.
Em sua intervenção, Amorim afirmou que “ocupar segue sendo central, porque é ocupando a terra que o povo pode produzir alimentos, garantir soberania e enfrentar a fome com produção popular e organizada”, defendendo a continuidade das ações de mobilização no campo.

Memória, cultura e continuidade política
A memória da luta pela terra na Paraíba foi abordada a partir da exibição pré-lançamento do filme ‘Terra pra Luzia’ (direção e roteiro de Carla Batista, lançamento previsto para 2026). Segundo organizadores, a atividade com a exibição do making of do filme, teve como objetivo resgatar trajetórias históricas e reforçar a memória como ferramenta política e formativa. Outro momento destacado foi a posse da nova coordenação nacional do MST na Paraíba, que passa a contar com Paulo Romário, Zilma Feitosa e Paulo Sérgio. De acordo com avaliação apresentada pela direção do movimento, a posse simbolizou a continuidade da luta e a renovação das responsabilidades militantes.



O encontro também contou com relatos de experiências internacionalistas. Kilson Alan compartilhou reflexões sobre uma missão realizada na Venezuela, destacando a importância da solidariedade entre os povos.
Segundo ele, “a luta pela terra não se limita às fronteiras nacionais, ela dialoga com processos populares em outros países e fortalece o compromisso internacionalista do MST”.
Além disso, participaram do encontro representantes de instituições como Incra e MDA, além de entidades sindicais e apoiadores, ampliando o diálogo institucional em torno da Reforma Agrária Popular.
Organização, acolhimento e encaminhamentos
Durante o evento, foi apresentado o calendário organizativo do MST da Paraíba, com orientações sobre os próximos passos da luta no estado. A coordenação avaliou que o encontro contribuiu para alinhar tarefas e fortalecer a atuação nos territórios.
Participantes também destacaram o acolhimento no Assentamento Tiradentes, em Mari, e a organização coletiva das atividades, incluindo a alimentação preparada por integrantes da Cooperat (Cooperativa de Produção Agropecuário do Assentamento Tiradentes)
Segundo a coordenação estadual, o 35º Encontro Estadual do MST Paraíba foi encerrado com a definição de encaminhamentos políticos e organizativos, reafirmando a luta pela terra, a agroecologia e a defesa da vida como eixos centrais da atuação do movimento no estado.





























