O início do verão no Rio Grande do Sul ocorre sob um cenário de tempo instável que já provocou chuvas intensas no domingo (21) em diversas regiões do estado. A tendência é de que essa condição se mantenha ao longo da semana de Natal, com calor e chuva frequente que pode ser forte em alguns momentos, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas e elevação dos níveis dos rios.
Segundo a MetSul Meteorologia, o estado passa a ser influenciado por um rio atmosférico que transporta grande quantidade de umidade da Amazônia, em conjunto com a atuação de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis. Esse sistema funciona como um bloqueio atmosférico no centro do país e contribui para manter a instabilidade sobre o território gaúcho.
Já no domingo, estações meteorológicas registraram acumulados próximos ou acima de 100 milímetros em municípios das regiões das Missões, Fronteira Oeste e Noroeste. Até as 13h desta segunda-feira (22), conforme levantamento da MetSul, os volumes chegaram a 187 mm em Porto Lucena e Santo Cristo, 176 mm em Giruá, 163 mm em São Paulo das Missões, 160 mm em Porto Xavier, 158 mm em Porto Vera Cruz, 156 mm em Santa Rosa e Campina das Missões, 110 mm em Ajuricaba e 100 mm em Itaqui.
Semana de Natal começa sob alerta no estado
Para os próximos dias, a previsão indica volumes elevados de chuva, especialmente nas regiões Sudoeste, Oeste e Noroeste, onde os acumulados podem se aproximar de 200 mm. Em alguns momentos, a precipitação pode ocorrer de forma concentrada, elevando o risco de transtornos.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul alerta que a atuação de uma área de baixa pressão associada a uma frente praticamente estacionária favorece temporais isolados e chuva volumosa até pelo menos a terça-feira. O período mais crítico ocorre nesta segunda-feira, com possibilidade de volumes superiores a 150 mm em 24 horas e, em alguns casos, acima de 100 mm em apenas 12 horas nas regiões Central, Oeste, Noroeste e Missões. Também há risco de rajadas fortes de vento e queda isolada de granizo.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais emitiu avisos de risco hidrológico e geológico para o estado. A avaliação é de risco moderado para enxurradas, alagamentos em áreas baixas e extravasamento de córregos, especialmente nas regiões de Santa Maria, Ijuí e Uruguaiana, onde o solo já se encontra encharcado.
Entenda por que a chuva deve persistir
Segundo a MetSul, o Vórtice Ciclônico em Altos Níveis, posicionado sobre o centro do Brasil, atua como um bloqueio que desvia o principal corredor de umidade para o Rio Grande do Sul. Embora o núcleo do sistema esteja associado a ar mais seco, suas bordas concentram nuvens carregadas, favorecendo chuva frequente e, por vezes, intensa.
A previsão indica que, em vários municípios, a chuva deve se repetir por muitos dias, com acumulados entre 100 mm e 150 mm em 24 horas em determinados momentos. Até o fim de dezembro, algumas regiões do Centro, Oeste e Noroeste podem registrar o dobro ou até o triplo da média mensal de precipitação.
Modelos analisados pela MetSul apontam que o rio atmosférico deve se manter ativo ao longo da semana de Natal e pode persistir mesmo após o feriado. O transporte contínuo de umidade desde áreas tropicais sustenta a previsão de chuva forte.
Para os próximos sete a dez dias, os volumes de chuva no Rio Grande do Sul devem variar entre 100 mm e 200 mm na maior parte do estado, podendo ultrapassar 300 mm em pontos do Centro, Oeste e Noroeste. Esse excesso de água aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e cheias repentinas, principalmente nas bacias dos rios Uruguai, Ibicuí, Vacacaí, Jaguari e Quaraí.
Na região Metropolitana de Porto Alegre, a tendência é de elevação do nível do Guaíba, que atualmente está baixo, sem indicação, até o momento, de um cenário considerado grave.
