SAÚDE MENTAL

Pesquisadora de Pelotas publica livro que analisa o suicídio como expressão do capitalismo no Brasil

Obra propõe leitura crítica do sofrimento psíquico não apenas como algo individual, mas como fenômeno social

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"Sem enfrentar as estruturas que provocam as desigualdades sociais, a precarização do trabalho e o desmonte das políticas públicas, continuaremos tratando o sofrimento apenas na superfície", avalia a pesquisadora
“Sem enfrentar as estruturas que provocam as desigualdades sociais, a precarização do trabalho e o desmonte das políticas públicas, continuaremos tratando o sofrimento apenas na superfície”, avalia a pesquisadora | Crédito: Jorge Leão

O adoecimento mental como resultado da crise socioeconômica. É o que propõe debater Laurem Aguiar com o livro O nós na solidão: suicídio e capitalismo no Brasil. Segundo dados das Nações Unidas, o país apresentou, no último biênio, um crescimento de 134% nos casos de afastamento no trabalho relacionados ao tema, passando de 201 mil notificações em 2022 para 472 mil em 2024.

Professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), pesquisadora e trabalhadora da saúde, Aguiar faz uma análise crítica que trata o suicídio como fenômeno histórico e socialmente produzido, agravado pelas condições de vida impostas pelo capitalismo contemporâneo. A obra propõe a conexão entre a esfera individual e o campo das desigualdades estruturais, do trabalho precarizado e do desmonte das políticas públicas.

Com extensa trajetória vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), à saúde coletiva e à formação de profissionais da área da saúde, a autora se afasta das abordagens individualizantes e medicalizantes que ainda predominam no debate público sobre saúde mental. Em seu lugar, sustenta que o aumento do sofrimento psíquico e dos casos de suicídio no Brasil está diretamente relacionado às formas de organização do trabalho, às violências estruturais e à fragilização das redes de cuidado coletivo.

Tratar o sofrimento além da superfície

“O Setembro Amarelo ajuda a colocar o tema em circulação, mas não dá conta da complexidade do problema. Sem enfrentar as estruturas que provocam as desigualdades sociais, a precarização do trabalho e o desmonte das políticas públicas, continuaremos tratando o sofrimento apenas na superfície”, avalia a pesquisadora.

Ao longo da obra, Laurem Aguiar articula referências da saúde coletiva, do pensamento crítico e da prática cotidiana nos serviços públicos de saúde para demonstrar como o sofrimento e o suicídio são atravessados por marcadores de classe, gênero e raça. A autora argumenta que compreender o suicídio como fenômeno social é “condição fundamental para a formulação de políticas públicas efetivas, baseadas no cuidado em liberdade e na saúde como direito”.

As análises teóricas são tensionadas a partir de experiências concretas. O trabalho no SUS, a escuta clínica, os encontros com usuários dos serviços públicos de saúde e os atravessamentos do luto aparecem como elementos que reforçam o caráter implicado da obra. O livro busca se posicionar como uma intervenção política no debate sobre saúde mental no Brasil.

A obra é resultado da tese de doutorado da autora no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A publicação foi desenvolvida com orientação e acompanhamento acadêmico das professoras Maria Isabel Barros Bellini e Jane Cruz Prates, referências nacionais no Serviço Social, cuja contribuição foi fundamental para o rigor teórico e metodológico do trabalho.

O livro O nós na solidão: suicídio e capitalismo no Brasil está disponível em formato digital (e-book) e também pode ser encomendado na versão impressa.

Serviço

Título: O nó da nossa solidão: suicídio e capitalismo no Brasil

Autora: Laurem Aguiar

Formação: Doutora em Serviço Social (Pucrs)

Atuação: Professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Formato: e-book (PDF) e versão impressa sob encomenda

Contato: [email protected]

Editado por: Marcelo Ferereira

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