Os trabalhadores e trabalhadoras da Petrobras no Rio Grande do Sul decidiram, por ampla maioria, encerrar a greve iniciada na terça-feira (16). A decisão foi tomada em assembleias realizadas na manhã desta terça-feira (23), em frente à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas (RS), e nos terminais da Transpetro. A categoria aprovou o indicativo do Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP), aceitando a contraproposta apresentada pela Petrobras na segunda-feira (22).
No estado, a paralisação teve duração de oito dias. Nacionalmente, a greve somou nove dias e contou com expressiva adesão em diversas unidades do Sistema Petrobras. No Rio Grande do Sul, além da Refap, os trabalhadores da Transpetro também integraram o movimento. Segundo a FUP, a mobilização foi decisiva para garantir avanços econômicos, sociais e estruturais no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
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Entre os pontos destacados estão o pagamento de abono, reajustes no vale-alimentação e no vale-refeição, a criação de um auxílio-alimentação mensal, a redução da participação dos trabalhadores nos custos de transporte e deslocamento, além de melhorias nas condições de trabalho, especialmente no offshore e em unidades em parada de manutenção. Também houve avanços nas áreas de saúde e segurança no trabalho.
Um dos principais resultados da contraproposta aprovada é a garantia de uma mesma proposta econômica para todas as subsidiárias do Sistema Petrobras, assegurando isonomia entre os trabalhadores. Outro ponto central é a formalização de uma carta-compromisso para a busca de solução dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, tema considerado estratégico pela categoria por envolver direitos previdenciários de trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas.
A Petrobras também assumiu o compromisso de não punir os grevistas e de retomar espaços permanentes de negociação.
“A categoria petroleira mostrando a sua força”
Durante o processo de mobilização no estado, o Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS) buscou mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), após a judicialização do movimento e diante do risco de decisões desfavoráveis à categoria. Em audiência realizada no sábado (20), foi pactuado um acordo de substituição do efetivo durante a greve, garantindo a segurança operacional e evitando impactos no abastecimento à população, sem retirar o controle do movimento das mãos dos trabalhadores.
Encerrando a avaliação da greve, a presidenta do Sindipetro-RS, Miriam Cabreira, destacou o peso político da mobilização. “Demonstramos a força da categoria petroleira nessa greve nacional. Arrancamos uma proposta financeira que contempla todas as subsidiárias, o que não existia antes da greve. É a categoria petroleira mostrando a sua força. Nós medimos essa força e temos certeza de que, a partir de agora, a gestão Magda (Chambriard) terá que mudar sua postura nas negociações”, afirmou.
Segundo ela, o resultado da paralisação tende a impactar também debates futuros, como o Plano de Cargos previsto para o próximo ano.
A greve no Rio Grande do Sul integrou uma mobilização nacional que envolveu oito refinarias, 24 plataformas, dez unidades da Transpetro, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel, além de campos terrestres da Bahia, a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas e a Estação de Compressão de Paulínia.
