Os Estados Unidos propuseram garantias de segurança para a Ucrânia com duração de 15 anos e possibilidade de renovação visando o fim da guerra entre o país e a Rússia. A proposta foi apresentada em reunião neste domingo (28) entre os presidentes Volodymyr Zelensky e Donald Trump, na Flórida.
Durante o encontro, o mandatário ucraniano sugeriu que o prazo fosse estendido para períodos entre 30 e 50 anos.
“Eu realmente queria que as garantias fossem mais longas. Eu disse a ele que realmente queremos considerar a possibilidade de 30, 40, 50 anos”, afirmou Zelensky em uma entrevista coletiva virtual nesta segunda-feira (29). Trump respondeu que pensaria na possibilidade, acrescentou.
Segundo Zelensky, a suspensão da lei marcial na Ucrânia está condicionada ao recebimento dessas garantias. Atualmente, a legislação impede a saída de homens em idade de recrutamento do território ucraniano. O presidente afirmou que o encerramento do conflito depende da consolidação desses termos de segurança.
“Todos queremos que a guerra termine, e só então a lei marcial será suspensa. Este é o único caminho. No entanto, o fim da lei marcial acontecerá quando a Ucrânia obtiver garantias de segurança”, disse Zelensky à imprensa. “Sem garantias de segurança, não se pode considerar que esta guerra tenha realmente terminado.”
O plano para a finalização do confronto prevê um documento assinado por Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e Europa. O cronograma estabelece reuniões preparatórias em janeiro com autoridades americanas e europeias em solo ucraniano. A expectativa é que esses diálogos precedam um encontro entre Trump e líderes da Europa, visando uma etapa posterior de negociação com representantes russos.
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, Vladimir Putin e Donald Trump devem realizar uma conversa telefônica em breve. Peskov afirmou, em entrevista também nesta segunda-feira (29), que a Rússia avaliará os resultados das negociações da Flórida somente após esse contato. Peskov também descartou a previsão de diálogos entre Putin e Volodimir Zelensky.
Em pronunciamento anterior ao encontro entre Trump e Zelensky, Vladimir Putin afirmou que a Rússia mantém a disposição para resolver o conflito pacificamente, desde que as condições russas sejam atendidas. Na ocasião, o líder russo destacou o avanço das tropas no campo de batalha e mencionou que a resolução depende da postura dos líderes em Kiev e de seus aliados na Europa.
“A Rússia está pronta e disposta a resolver o conflito ucraniano pacificamente, com base nos princípios delineados pelo Ministério das Relações Exteriores no verão de 2024, e abordando a causa raiz da crise. A bola está completamente e inteiramente no campo de nossos oponentes ocidentais, por assim dizer, sobretudo, os líderes do regime de Kiev e, neste caso, principalmente seus patrocinadores europeus”, disse Putin.
