O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou nesta terça-feira (30) que concordou em submeter a questão da retirada das Forças Armadas da Ucrânia da região de Donbass a um referendo no país.
A retirada plena das tropas ucranianas da região de Donbass é uma das principais exigências da Rússia para a realização de um acordo para a resolução do conflito da Ucrânia. Zelensky reforçou que este recuo deveria ser mútuo em conjunto com Moscou.
“Portanto, parece-me que propusemos um compromisso. Se introduzirmos uma zona econômica especial [em Donbass], e a Ucrânia se retirar um certo número de quilômetros, então a Rússia também se retirará um certo número de quilômetros”, disse Zelensky em entrevista à Fox News.
Segundo ele, tal zona teria regras específicas. “Se a decisão diz respeito a uma zona econômica especial ou algo semelhante, um referendo é uma forma de aceitá-la ou rejeitá-la”, afirmou Zelensky.
Ao mesmo tempo, o presidente ucraniano enfatizou que a Ucrânia não pode ceder território sem a aprovação do referendo, pois o governo não tem essa autoridade, apenas a população como um todo.
“Não podemos nos dar ao luxo da estupidez de assinar um acordo com o presidente Trump e depois submetê-lo a um referendo, sabendo que o povo votará contra. Nossa tarefa é encontrar um caminho para a paz verdadeira que satisfaça a nação ucraniana”, concluiu o presidente ucraniano.
No último domingo (28), o presidente dos EUA, Donald Trump, e Volodymyr Zelensky se reuniram na Flórida, onde discutiram um plano de paz de 20 pontos preparado por Kiev. Após a reunião, o presidente estadunidense pediu a aprovação acelerada do documento, alertando que, caso contrário, a Rússia continuaria seu avanço.
A questão territorial sobre a região de Donbass é justamente um dos pontos que permanece sem solução. Moscou reforçou suas exigências na última segunda-feira (29), reafirmando a retirada completa das forças ucranianas das áreas de Donbass, onde Kiev ainda mantém controle, como condição para o fim da guerra.
Segundo Zelensky, o plano de paz foi praticamente aprovado pelos parceiros ocidentais. Mas ele acrescentou que a questão territorial ainda é objeto de impasse.
