Horror. Caos. O final do réveillon da cidade de Capão da Canoa, no Litoral Norte gaúcho, pode assim ser descrito. Nas redes sociais, dezenas de vídeos mostram a sujeira, a falta de educação ambiental e as grandes bebedeiras que começaram no final da tarde do último dia do ano (31) nos famosos ‘esquentas” nos quiosques da beira da praia e em ruas próximas. Trânsito insuportável. Ninguém se mexia.
“Pessoas completamente alcoolizadas, ou drogadas, vai se saber, ou simplesmente ‘enlouquecidas’”, disse uma das internautas. “Parecia a festa do fim do mundo”, disse outra. Toneladas de lixo e até intervenção da Cavalaria e de Tropas de Choque da Brigada Militar foram chamadas para retirar as pessoas mais alteradas. “Foi um ‘deus nos acuda’’, afirmou outro post.
Uma canção de Kleiton & Kledir retrata bem este espírito de tempestade humana que tomou conta do antes, do durante e do depois do réveillon de Capão da Canoa. “Nunca se viu nada igual”, retratou em mensagem a comunicadora Cláudia Horbe. “Foi um caos”, disse. Para piorar a situação, faltou luz e água em determinadas áreas da cidade litorânea. Cálculos municipais estimam que cerca de 1 milhão de pessoas passaram pela praia para participar do réveillon.
‘Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém‘
A sujeira e o lixo de milhares de toneladas não foram privilégios de Capão da Canoa. Tramandaí, Cidreira e Torres também enfrentaram este fenômeno na virada de ano. Pelo país, há relatos de grande intensidade em Balneário Camboriú, Troncoso, na Bahia, Salvador, Rio, Recife, Porto de Galinhas (PE) e tantos outros. São Paulo e litoral paulista tiveram outro problema: as chuvaradas.
Porto Alegre
A festa da virada no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, foi relativamente tranquila. Bebedeiras e sujeira não faltaram. Com segurança reforçada, quem se alterava era logo contido. Não ocorreram incidentes de grande monta. Brigas e roubos isolados. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) recolheu 5 toneladas de lixo após o evento, mas havia previsão de que mais três toneladas haviam ficado para trás, para serem recolhidos durante a quinta-feira (1º).
Frequentadores do local deixaram garrafas de bebidas alcoólicas, copos, sacolas e embalagens espalhados por diversos pontos da Orla do Guaíba. A limpeza mobilizou aproximadamente 200 trabalhadores. Cerca de 90 garis atuaram entre 0h e 7h, enquanto um segundo grupo, com outros 110, iniciou as atividades às 7h30.
Foram realizados serviços de varrição, recolhimento de resíduos e lavagem das avenidas Presidente João Goulart e Edvaldo Pereira Paiva, além da Orla. A limpeza interna no Parque Harmonia é de responsabilidade da concessionária GAM3 Parks.
A força-tarefa contou com um caminhão-pipa, para lavagem das vias, e um caminhão compactador, destinado a coletar os resíduos. Os materiais foram encaminhados para o aterro sanitário de Minas do Leão, a cerca de 100 km da Capital.
Rio de Janeiro
O maior réveillon do mundo, segundo os entusiasmados e exagerados narradores das tevês que cobriram o evento, foi relativamente tranquilo, fora aquelas brigas e bebedeiras de praxe destas ocasiões. Para proteger doentes e pets os fogos obedeceram a lei e foram silenciosos. A Companhia de Lixo Urbano (Comlurb) recolheu um total de 1.250 toneladas de resíduos em Copacabana e no Rio, em geral, durante o réveillon. Do total, 625 toneladas apenas em Copacabana. O volume no bairro superou as 490 toneladas do ano passado.
A limpeza, que envolveu cerca de 5,3 mil garis, foi intensificada nas áreas mais movimentadas, como as praias e vias de acesso ao bairro, onde ocorreram os maiores shows da virada. O volume de lixo recolhido em Copacabana superou as expectativas, refletindo o grande fluxo de pessoas que participaram das festividades, disse Jorge Arraes, da Comlurb. A operação de limpeza foi realizada de forma contínua, com equipes trabalhando durante toda a madrugada para garantir que a cidade estivesse limpa logo após as comemorações.
