Os bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3) provocaram reações imediatas de chefes de Estado da América Latina. Presidentes e chancelerias de países da região repudiaram a ação militar, classificaram a ofensiva como uma violação à soberania venezuelana e exigiram que o conflito seja resolvido por meios pacíficos e multilaterais.
Os governos também alertaram para os riscos que a ação unilateral representa para a estabilidade da América Latina e do Caribe, região que, desde 2014, é reconhecida como “zona de paz” por acordo firmado no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
México
O governo do México condenou energicamente as ações militares executadas unilateralmente pelas forças armadas dos Estados Unidos em território da República Bolivariana da Venezuela durante a madrugada deste sábado.
Diante da agressão ilegal, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, lembrou que “a América Latina e o Caribe são uma zona de paz”, ressaltando que “qualquer ação militar coloca em grave risco a estabilidade regional”.
Além disso, Sheinbaum afirmou em suas redes sociais que as ações realizadas pelas forças militares dos Estados Unidos violam o artigo 2 da Carta da ONU e reiterou a necessidade de respeitar o direito internacional e os princípios da paz regional.
A declaração de Sheinbaum foi acompanhada de um comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores, no qual se exorta a Organização das Nações Unidas a “agir imediatamente para contribuir com a redução das tensões, facilitar o diálogo e gerar condições que permitam uma solução pacífica, sustentável e de acordo com o direito internacional”.
El Artículo 2, párrafo 4 de la Carta de las Naciones Unidas dice textualmente:
— Claudia Sheinbaum Pardo (@Claudiashein) January 3, 2026
“Los Miembros de la Organización, en sus relaciones internacionales, se abstendrán de recurrir a la amenaza o al uso de la fuerza contra la integridad territorial o la independencia política de…
Colômbia
Por sua vez, o governo da Colômbia descreveu os ataques como uma “agressão à soberania da Venezuela e da América Latina”. Por meio de suas redes sociais, o presidente colombiano, Gustavo Petro, anunciou a ativação de um Conselho de Segurança Nacional e o envio de forças públicas à fronteira comum.
Petro afirmou que “a Colômbia reafirma seu compromisso irrestrito com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, a proibição do uso ou da ameaça do uso da força, e a solução pacífica das controvérsias internacionais. Nesse sentido, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar a população civil em risco”.
El Gobierno de la República de Colombia observa con profunda preocupación los reportes sobre explosiones y actividad aérea inusual registrados en las últimas horas en la República Bolivariana de Venezuela, así como la consecuente escalada de tensión en la región.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 3, 2026
Colombia…
Chile
O presidente do Chile, Gabriel Boric, expressou sua “preocupação e condenação” pelas ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e conclamou a uma solução pacífica. Boric reafirmou a adesão do Chile aos princípios do direito internacional e destacou que a crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do multilateralismo, rejeitando a violência e a intervenção estrangeira como formas de solucionar conflitos regionais.
“Chile reafirma sua adesão a princípios básicos do direito internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção, a solução pacífica das controvérsias internacionais e a integridade territorial dos Estados. A crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio ao multilateralismo, e não pela violência ou pela intervenção estrangeira”, afirmou Boric.
Como Gobierno de Chile expresamos nuestra preocupación y condena por las acciones militares de Estados Unidos que se desarrollan en Venezuela y hacemos un llamado a buscar una salida pacífica a la grave crisis que afecta al país.
— Gabriel Boric Font (@GabrielBoric) January 3, 2026
Chile reafirma su adhesión a principios básicos…
Uruguai
O presidente uruguaio, Yamandú Orsi, compartilhou o comunicado oficial do governo do Uruguai, no qual se afirma que “o Uruguai rejeita, como sempre fez, a intervenção militar de um país em território de outro e reafirma a importância de respeitar o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, em particular o princípio básico de que os Estados devem abster-se de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os propósitos das Nações Unidas”.
Além disso, o Uruguai assegurou que “reafirmamos o caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz e livre de armas nucleares, como tem sido a posição consensual da nossa região”.
Uruguay sigue con seria preocupación los acontecimientos recientes en Venezuela, incluidos los ataques reportados contra instalaciones militares e infraestructura civil.
— Cancillería Uruguay 🇺🇾 (@CancilleriaUy) January 3, 2026
Comunicado completo ⤵️https://t.co/T7Tw3pP4Ct#Uruguay #Venezuela #DerechoInternacional #ZonaDePaz… pic.twitter.com/oXcjSI6F2Q
Oposição argentina
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, condenou a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Em nota publicada nas redes sociais, Kicillof classificou a ação como uma “grave violação dos princípios elementares do direito internacional” e alertou que o ataque compromete a estabilidade regional ao estabelecer um “precedente perigoso”.
Kicillof destacou que as ações norte-americanas violam tanto a Carta das Nações Unidas quanto a Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA), além de desrespeitarem o princípio da não intervenção. O governador também lembrou que a Argentina possui uma longa tradição de defesa da soberania, da integridade territorial e da resolução pacífica de conflitos – valores consagrados em doutrinas históricas do país, como a Doutrina Drago e a Doutrina Calvo. “Os princípios de defesa da paz, de não intervenção e da soberania devem estar acima de qualquer conveniência econômica”, afirmou.
La Provincia de Buenos Aires condena el accionar militar de Estados Unidos en Venezuela. Este hecho constituye una grave violación de los principios elementales del Derecho Internacional, altera la estabilidad regional y sienta un peligroso precedente.
— Axel Kicillof (@Kicillofok) January 3, 2026
Estas acciones vulneran…
