REAÇÃO

‘Tirem as mãos da Venezuela’: manifestantes protestam em diversas cidades do mundo contra ação dos EUA

Atos foram convocados ao longo do sábado(03), após ataques dos EUA contra a Venezuela

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Protestos em frente à Casa Branca, nos EUA, contra os ataques à Venezuela
Protestos em frente à Casa Branca, nos EUA, contra os ataques à Venezuela | Crédito: TASOS KATOPODIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Diversas cidades ao redor do mundo registraram protestos neste sábado (3) contra os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. A ofensiva, comandada pelo governo de Donald Trump, começou por volta das 2h50 (horário de Caracas) e atingiu alvos civis e militares em Caracas, além de instalações nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

O governo venezuelano denunciou a ação como uma violação flagrante da soberania nacional, e a vice-presidenta Delcy Rodríguez exigiu a liberação de Nicolás Maduro e Cilia Flores, reiterando que o único presidente legítimo da Venezuela continua sendo Maduro. Em pronunciamento, ela afirmou que o país não voltará a ser colônia de nenhum império e convocou a população à defesa da soberania nacional em união cívico-militar.

Em Washington, manifestantes se reuniram em frente à Casa Branca para condenar a operação militar. Cartazes exibiam frases como “Trump bombardeou a Venezuela sem autoridade”, denunciando o caráter unilateral da intervenção. Em Londres, o protesto foi realizado diante da embaixada dos Estados Unidos, com palavras de ordem como “Tirem as mãos da Venezuela” e pedidos pela libertação imediata de Maduro.

“Pare de roubar petróleo”, diz um dos cartazes do protesto em frente à Casa Branca, neste sábado (3) (Foto: Mandel NGAN / AFP) | Crédito: Mandel NGAN / AFP

Na Argentina, atos ocorreram em Buenos Aires e em Rosário, com concentração em frente à embaixada estadunidense sob forte aparato policial. Manifestações também foram registradas no México e no Chile, com faixas e palavras de ordem em defesa da soberania venezuelana.

Na Europa, organizações sindicais, partidos de esquerda e entidades de defesa dos direitos de migrantes convocaram mobilizações em Berlim, Barcelona, Marselha, Paris e Atenas. Os protestos denunciaram o imperialismo estadunidense e exigiram posicionamento de seus governos contra a ação militar liderada por Trump. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, declarou que o país “não tem qualquer relação com a captura de Maduro”.

Em Cuba, os atos foram liderados pelo próprio presidente Miguel Díaz-Canel. Com cartazes pedindo o fim do imperialismo dos EUA, a população ocupou as ruas em solidariedade ao povo venezuelano. Díaz-Canel classificou os ataques como “brutais, traiçoeiros, inaceitáveis e vulgares” e afirmou: “A terra de Bolívar é sagrada, e um ataque a ela é um ataque a todos os filhos dignos da América”.

Internamente, a Venezuela também segue mobilizada. Segundo a emissora Telesur, parceira do Brasil de Fato, manifestações ocorrem em Caracas e no interior do país. Na capital, moradores ocuparam a avenida Urdaneta, próxima ao Palácio de Miraflores, sede do Executivo, para defender a soberania nacional e rejeitar a interferência de Washington. Já nas áreas estratégicas, comandos de defesa integral foram ativados para enfrentar possíveis novas agressões.

Entenda

Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra a Venezuela, atingindo alvos civis e militares em Caracas e em outras regiões do país. Segundo o governo venezuelano, a ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país. A vice-presidenta Delcy Rodríguez afirmou que o paradeiro do casal segue desconhecido e exigiu uma prova de vida. O governo decretou estado de comoção externa e convocou mobilizações em defesa da soberania nacional.

Durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca quer administrar a Venezuela até que seja realizada uma “transição democrática e justa”. Ele celebrou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ataque extraordinário” e indicou que o presidente venezuelano e a primeira-dama estão sendo levados para julgamento nos EUA. Trump também deixou claro o interesse direto no controle do petróleo venezuelano, afirmando que o recurso foi “roubado” dos Estados Unidos e que será entregue a uma empresa estadunidense.

Editado por: Rodrigo Chagas

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