No Amapá

Ibama investiga perda de fluido de poço de petróleo na Foz do Amazonas; Instituto Arayara aponta riscos e incertezas

Incidente aconteceu a 175 km da costa; Petrobras informou que a descarga foi paralisada e que o fluido é biodegradável

Especialistas dizem que extração de petróleo na Foz do Amazonas (foto) põe em risco frágil equilíbrio socioambiental da região
Especialistas dizem que extração de petróleo na Foz do Amazonas (foto) põe em risco frágil equilíbrio socioambiental da região | Crédito: Elsa Palito/Greenpeace Brasil

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou que, no último domingo (04), “houve um incidente com a perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá”, na Foz do Amazonas.

Em comunicação enviada ao Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), o Ibama apontou que, “durante a circulação de fluido de perfuração do poço (fluido de perfuração de base não aquosa), foi observado o indício de perda e, após inspeção, foi constatada descarga do fluido para o mar”.

Segundo o Ibama, o vazamento foi imediatamente contido e “as linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo”.

“Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”, destacou o órgão.

A Petrobras informou ainda que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas”.

Em nota, o Instituto Internacional Arayara, que, juntamente com outras, entrou com uma ação questionando a exploração na Foz do Amazonas, manifestou preocupação com o incidente, ainda que a empresa alegue ausência de impactos ambientais imediatos, e ressaltou que “incidentes desse tipo evidenciam os riscos estruturais da exploração de petróleo em uma das regiões mais sensíveis do planeta, marcada por alta biodiversidade e pela dependência direta de comunidades costeiras e tradicionais”, apontou . “Os riscos são compartilhados e os benefícios ficam com poucos”, acrescenta a nota.

“As incertezas sobre o fluxo das intensas correntes mais profundas [na região] ainda não é totalmente conhecido, tornando essa atividade mais insegura, e sujeita a outros acidentes como esse ou piores, inclusive em dimensões transfronteiriças.”

Editado por: Maria Teresa Cruz

|

Newsletter