Imperialismo Ianque

China acusa EUA de promover a ‘lei da selva’ ao se retirar de 31 organismos da ONU

Pequim alerta que a comunidade internacional deve agir para impedir que Washington se torne o “xerife do mundo"

Manifestações em várias partes do mundo têm acontecido em apoio à Revolução Bolivariana e para tentar conter a ambição colonial dos EUA na América Latina. Ativistas pró-governo representando um revolucionário bolivariano venezuelano e o Tio Sam dos Estados Unidos se apresentam durante uma manifestação em apoio ao presidente Nicolás Maduro, em Caracas, em 14 de agosto de 2017
Manifestações em várias partes do mundo têm acontecido em apoio à Revolução Bolivariana e para tentar conter a ambição colonial dos EUA na América Latina. Ativistas pró-governo representando um revolucionário bolivariano venezuelano e o Tio Sam dos Estados Unidos se apresentam durante uma manifestação em apoio ao presidente Nicolás Maduro, em Caracas, em 14 de agosto de 2017 | Crédito: RONALDO SCHEMIDT /AFP

Em coletiva para imprensa nesta quinta-feira (8), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, criticou a saída dos Estados Unidos de 66 organismos internacionais, dos quais 31 são vinculados à ONU, destacando que a decisão demonstra uma tentativa de Washington de impor sua vontade unilateralmente, ameaçando a estabilidade mundial.

Segundo a porta-voz, “só com o funcionamento eficaz do sistema multilateral se pode impedir a propagação da lei da selva e evitar que a ordem internacional seja dominada pela lógica de que ‘a força faz a justiça’”.

“A comunidade internacional deve agir para impedir que Washington se torne o ‘xerife do mundo’ e evitar uma invasão [total] à Venezuela”, completou.

Entre os organismos da ONU impactados estão o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e a Comissão de Direitos Humanos, órgãos fundamentais para manter a paz, promover desenvolvimento e proteger direitos humanos.

,Mao Ning enfatizou que esses organismos não existem para atender aos interesses de uma única potência, mas para proteger os Estados menores e a ordem internacional baseada em regras, prevenindo abusos que poderiam justificar intervenções militares injustificadas, como ocorreu recentemente na Venezuela. “A China defende o multilateralismo e a ONU em seu papel fundamental nos assuntos internacionais”, disse Mao.

Segundo Pequim, a saída unilateral dos EUA desses organismos ameaça a capacidade da comunidade internacional de manter a paz mundial, apoiar o desenvolvimento de países em situação vulnerável e proteger a soberania de Estados como a Venezuela, reforçando a necessidade de cooperação multilateral para garantir estabilidade global.

Dias atrás, o governo chinês também condenou veementemente a ação militar dos EUA na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O país asiático destacou que o uso da força contra um Estado soberano constitui uma violação flagrante do direito internacional e representa uma ameaça à paz e à segurança regional.

China repudia politização dos direitos humanos como pretexto para intervenção militar

A China destacou ainda que direitos humanos não devem ser usados como pretexto para intervenção ou pressão política. Segundo Mao Ning, a politização de questões de direitos humanos por alguns países é frequentemente utilizada para justificar ações militares ou ingerência nos assuntos internos de outros Estados, como ocorreu recentemente na Venezuela.

“A comunidade internacional deve respeitar o direito de cada país de escolher seu próprio caminho de desenvolvimento”, disse Mao Ning, enfatizando que cada nação tem o direito soberano de definir suas políticas de acordo com suas leis e condições internas.

Relação entre China e Venezuela

Também em coletiva de imprensa, representantes do governo chinês voltaram a afirmar que a cooperação econômica e comercial com a Venezuela sempre se pautou pelos princípios de igualdade, benefício mútuo e respeito à soberania nacional, e que essa parceria não será interrompida mesmo diante da atual crise política na Venezuela.

Segundo o porta‑voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, essa cooperação é um acordo firmado entre dois Estados soberanos e protegido tanto pelo direito internacional quanto pelas leis de cada país, e nenhum outro Estado tem o direito de interferir nos termos dessa relação.

“A China firmemente se opõe aos atos hegemônicos dos Estados Unidos, que violam o direito internacional, infringem a soberania da Venezuela e ameaçam a paz e a segurança na América Latina.” disse, destacando que, independentemente das mudanças na situação política venezuelana, a China continuará aprofundando as relações comerciais e defendendo seus interesses estratégicos e econômicos com Caracas.

Editado por: Nathallia Fonseca

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