Em coletiva para imprensa nesta quinta-feira (8), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, criticou a saída dos Estados Unidos de 66 organismos internacionais, dos quais 31 são vinculados à ONU, destacando que a decisão demonstra uma tentativa de Washington de impor sua vontade unilateralmente, ameaçando a estabilidade mundial.
Segundo a porta-voz, “só com o funcionamento eficaz do sistema multilateral se pode impedir a propagação da lei da selva e evitar que a ordem internacional seja dominada pela lógica de que ‘a força faz a justiça’”.
“A comunidade internacional deve agir para impedir que Washington se torne o ‘xerife do mundo’ e evitar uma invasão [total] à Venezuela”, completou.
Entre os organismos da ONU impactados estão o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e a Comissão de Direitos Humanos, órgãos fundamentais para manter a paz, promover desenvolvimento e proteger direitos humanos.
,Mao Ning enfatizou que esses organismos não existem para atender aos interesses de uma única potência, mas para proteger os Estados menores e a ordem internacional baseada em regras, prevenindo abusos que poderiam justificar intervenções militares injustificadas, como ocorreu recentemente na Venezuela. “A China defende o multilateralismo e a ONU em seu papel fundamental nos assuntos internacionais”, disse Mao.
Segundo Pequim, a saída unilateral dos EUA desses organismos ameaça a capacidade da comunidade internacional de manter a paz mundial, apoiar o desenvolvimento de países em situação vulnerável e proteger a soberania de Estados como a Venezuela, reforçando a necessidade de cooperação multilateral para garantir estabilidade global.
Dias atrás, o governo chinês também condenou veementemente a ação militar dos EUA na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O país asiático destacou que o uso da força contra um Estado soberano constitui uma violação flagrante do direito internacional e representa uma ameaça à paz e à segurança regional.
China repudia politização dos direitos humanos como pretexto para intervenção militar
A China destacou ainda que direitos humanos não devem ser usados como pretexto para intervenção ou pressão política. Segundo Mao Ning, a politização de questões de direitos humanos por alguns países é frequentemente utilizada para justificar ações militares ou ingerência nos assuntos internos de outros Estados, como ocorreu recentemente na Venezuela.
“A comunidade internacional deve respeitar o direito de cada país de escolher seu próprio caminho de desenvolvimento”, disse Mao Ning, enfatizando que cada nação tem o direito soberano de definir suas políticas de acordo com suas leis e condições internas.
Relação entre China e Venezuela
Também em coletiva de imprensa, representantes do governo chinês voltaram a afirmar que a cooperação econômica e comercial com a Venezuela sempre se pautou pelos princípios de igualdade, benefício mútuo e respeito à soberania nacional, e que essa parceria não será interrompida mesmo diante da atual crise política na Venezuela.
Segundo o porta‑voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, essa cooperação é um acordo firmado entre dois Estados soberanos e protegido tanto pelo direito internacional quanto pelas leis de cada país, e nenhum outro Estado tem o direito de interferir nos termos dessa relação.
“A China firmemente se opõe aos atos hegemônicos dos Estados Unidos, que violam o direito internacional, infringem a soberania da Venezuela e ameaçam a paz e a segurança na América Latina.” disse, destacando que, independentemente das mudanças na situação política venezuelana, a China continuará aprofundando as relações comerciais e defendendo seus interesses estratégicos e econômicos com Caracas.
