Nesta quinta-feira (8), completa-se três anos da tentativa de golpe de Estado que culminou na vandalização da Praça dos Três poderes, em Brasília. Diante disso, brasileiros e brasileiras vão às ruas em diversas capitais do país para demarcar a resistência democrática e relembrar a ameaça. Em Belo Horizonte, a mobilização será na praça Fuad Noman, a partir das 17h.
“Em Minas Gerais, a expectativa é ótima, especialmente em Belo Horizonte, reunindo movimentos sociais, sindicatos e forças democráticas. As mobilizações devem reforçar a memória do 8 de janeiro, a defesa da Constituição e das instituições, e a mensagem de que tentativas de golpe não podem ser relativizadas nem esquecidas”, afirma o deputado federal Rogério Correia (PT).
Reunindo trabalhadores, movimentos populares, organizações sociais e partidos políticos, sindicatos e centrais sindicais, a manifestação carrega o lema “em defesa da democracia, sem anistia para golpistas, pelo veto ao PL da dosimetria”. Para o deputado, a data marca o compromisso de Minas com a democracia e com a responsabilização dos envolvidos nos atos golpistas.
Segundo Correia, o Brasil aprendeu que a democracia precisa ser defendida todos os dias e que golpe não é opinião, é crime. Isso porque, para o parlamentar, a resposta do Estado brasileiro mostrou maturidade institucional. “Houve investigação, julgamento, punições e fortalecimento das instituições, sem atalhos autoritários”.
“A principal lição é clara: ninguém está acima da lei. Tentativas de abolir o Estado Democrático de Direito não serão toleradas nem esquecidas e o resultado das urnas, o voto do povo brasileiro, precisa ser respeitado”, aponta o parlamentar.
Na mesma linha, para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ocupar as ruas no 8 de Janeiro é reafirmar que a democracia se constrói com participação popular, justiça e compromisso permanente com os direitos dos trabalhadores.
“Além de relembrar a importância da democracia e da participação da soberania popular, os atos também serão um grito contra o PL da Dosimetria, aprovado no Senado Federal em 17 de dezembro, que altera a forma de cálculo das penas para crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. O grito popular é para que o presidente Lula vete o PL da Dosimetria”, afirmou a central, em nota.
Enquanto isso, em Brasília, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assinou, nesta quinta-feira (8), o veto integral ao Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado. Manifestantes reunidos em frente ao Palácio do Planalto relembraram esse triste momento da história democrática do Brasil e comemoraram o veto ao PL.
Para Rogério Correia, em um cenário global de avanço do autoritarismo e de ataques às instituições, a experiência brasileira ganha ainda mais relevância.
“O país demonstrou que é possível enfrentar tentativas de ruptura com base na Constituição, no funcionamento das instituições e na participação da sociedade, sem abrir mão do Estado de Direito. Soma-se a isso o esforço do governo do presidente Lula em ampliar os espaços de participação popular, com a retomada dos conselhos e da democracia participativa, fortalecendo um diálogo mais direto com a população e consolidando a defesa das liberdades e da legalidade”, explica.
Como estão os golpistas mineiros
Em 2025, o Brasil celebrou um marco histórico, ao condenar, no Supremo Tribunal Federal (STF), diversos militares, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe de Estado. Apesar dos múltiplos golpes perpetrados pela ala militar desde a independência brasileira, nunca em nossa história um golpista havia sido responsabilizado.
Com essa conquista da Justiça, dois mineiros que integraram a cúpula de comando da organização criminosa bolsonarista foram julgados e condenados: Marcelo Bormevet, que integrou o núcleo 4 do golpismo, conhecido como núcleo da desinformação, e Walter Souza Braga Netto, candidato à vice na chapa derrotada em 2022 e integrante do núcleo de comando da tentativa de golpe.
Preso preventivamente desde dezembro de 2024, Braga Netto, que é natural de Belo Horizonte, passou a cumprir pena definitiva na 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado. O general foi condenado a 26 anos de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio protegido.
Já Bormevet teve uma condenação de 15 anos de prisão, pelos mesmos crimes. O policial federal juiz-forano foi condenado por usar ilegalmente recursos da Abin para espionar opositores e ordenar ações violentas.
Serviço
Manifestação “em defesa da democracia, sem anistia para golpistas, pelo veto ao PL da dosimetria”
Local: Praça Fuad Noman, Avenida Afonso Pena, 951, Centro – Belo Horizonte (MG)
Horário: 17h
