Setores do governo federal aconselharam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a não assinar nesta quinta-feira (8) o veto ao Projeto de Lei da Dosimetria, em um sinal de busca por conciliação com o Congresso Nacional. No fim das contas, porém, a “queda de braço” foi vencida pela ala que defendia que o projeto fosse barrado no ato que marcou os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Para o ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi, Lula acertou.
“Prevaleceu uma atitude correta do presidente Lula, na minha opinião. Nós temos, na democracia, de equilibrar momentos de composição, de ajuste, de recuo; com momentos de enfrentamento”, afirmou Vannuchi em entrevista à primeira edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quinta.
Vannuchi chefiou o Ministério dos Direitos Humanos entre 2005 e 2010, durante a primeira passagem de Lula pelo Palácio do Planalto. Ele também foi integrante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e é crítico do projeto aprovado pelo Congresso para aliviar as penas de condenados pela tentativa de golpe.
“Se não houver enfrentamento, a direita, o conservadorismo e o fascismo só avançam. Então, Lula fez muito bem ao anunciar o veto ao projeto de lei falsamente denominado ‘dosimetria’. Na verdade, ele foi uma forma de apresentar a anistia aos golpistas com outro termo”, prosseguiu.
Entre os motivos para que setores do governo defendessem o adiamento da assinatura do veto estavam as possíveis ausências dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao evento desta quinta. Para Paulo Vannuchi, as posturas não surpreendem.
“O boicote pouco importa, pois não configura um novo alinhamento deles. É um alinhamento com o golpismo, com as forças reacionárias e conservadoras, com a cautela de, de vez em quando, sinalizar sensibilidade para algumas das pautas populares. Especialmente quando as forças da democracia exigem, como em tempos recentes conseguiram impor algumas derrotas importantes a esse legislativo”, resumiu. “Fez muito bem o presidente Lula ao não atender as recomendações conciliadoras de que era melhor não vetar hoje [quinta], porque as ausências desses dois presidentes já eram favas contadas”.
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