CRISE CLIMÁTICA

Sequência de tornados no Paraná é resultado de ações humanas nos últimos séculos, diz especialista

Em torno de 350 residências e 1,2 mil pessoas foram afetadas

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Efeitos do Furação em São José dos Pinhais (PR)
Além dos danos às edificações, o tornado provocou queda de árvores e problemas na rede e distribuição de energia elétrica. | Crédito: Simepar

O tornado que atingiu São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, no sábado (10), foi o segundo no estado do Paraná em menos de dois meses. O fenômeno, de intensidade relevante, causou destelhamentos, derrubou árvores e destruiu veículos. De acordo com o Corpo de Bombeiros, duas pessoas ficaram feridas e duas famílias desalojadas.

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) classificou o tornado como categoria F2 na escala Fujita, com ventos estimados entre 180 km/h e 253 km/h. Os danos foram pontuais, mas expressivos. Em resposta, a Defesa Civil local encaminhou no domingo (11) um carregamento de 2,6 mil telhas para auxiliar os moradores afetados.

Segundo o meteorologista do Simepar, Leonardo Furlan, a tempestade mais severa se formou no fim da tarde sobre as cidades de Almirante Tamandaré e Colombo, deslocou-se sobre Curitiba, onde provocou ventos intensos e granizo – e seguiu até São José dos Pinhais.

Em dezembro de 2025, outro tornado, classificado como F1, atingiu o município paranaense de Mercedes, deixou seis mortos e impactou quase 15 mil pessoas. Na mesma ocasião, cidades como Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava foram afetadas por um fenômeno com ventos que superaram os 330 km/h.

Causas climáticas e influência humana

Especialista em climatologia, o geógrafo Wilson Flavio Feltrim Roseghini atribui a formação destes tornados a uma combinação de fatores. Ele explica que o Paraná está em uma zona de transição climática (entre tropical e subtropical), o que gera instabilidade atmosférica. Esse cenário, somado ao aumento do calor no verão, cria condições ideais para tais eventos.

Roseghini aponta que a mudança climática global tem um papel principal como causa do aumento significativo na ocorrência de tornados no estado. “O cenário atual só poderá ser revertido a longo prazo, porque tudo isso é resultado das alterações que realizamos na superfície do planeta nos últimos dois séculos: Revolução Industrial, aumento da poluição, emissão de combustíveis fósseis, desmatamento. Isso inevitavelmente alterou o clima”, afirma o pesquisador.

Para evitar consequências ainda mais graves, o geógrafo ressalta a urgência de conter o aquecimento global. “É imprescindível que a temperatura global não ultrapasse 1,5°C até 2100, conforme o Acordo de Paris (2021). Quem mais sofre é a população, como vimos no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024, e agora com esta onda de tornados”, alerta Roseghini. Wilson ainda acrescenta alerta sobre a necessidade de “tornar as cidades e a população mais resilientes”, além de medidas que amplifiquem as orientações de segurança de órgãos oficiais como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.

A Defesa Civil emite avisos de desastres. Para recebê-los é possível entrar em contato via SMS enviando mensagem com o CEP da sua residência para o número 40199 ou via WhatsApp cadastrando e interagindo com o número (61) 2034-4611 para concluir o registro.

Editado por: Nathallia Fonseca

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