Direito ao brincar

Férias escolares: viver Fortaleza e fortalecer vínculos

Como frequentar espaços públicos e programações gratuitas para divertir e ampliar o repertório cultural da criançada

criança em escorregador
A brincadeira é um elemento indispensável para uma infância feliz e um importante instrumento de socialização. | Crédito: Pedro França/Agência Senado

As férias escolares podem ser mais do que uma pausa na rotina das crianças. Para especialistas em infância, o período é uma oportunidade estratégica para estimular o brincar, ampliar repertórios culturais e fortalecer a relação das crianças com a cidade onde vivem. Em Fortaleza, praças, parques e equipamentos culturais oferecem alternativas que vão além das telas e ajudam a construir experiências de pertencimento e convivência.

Sara Rebeca Aguiar, jornalista, pesquisadora da relação entre mídia e infância e mestra em educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca ao Brasil de Fato que o brincar é uma dimensão central da infância. “É a forma que a criança tem de interpretar o mundo, ressignificar o que vive e compreender os próprios sentimentos”, afirma, em reportagem publicada em julho de 2024. Segundo ela, o brincar livre, especialmente em espaços coletivos, contribui para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo.

Moradora do bairro Itaperi e mãe de Murilo Rael, de dois anos e quatro meses, a psicóloga Kélvia Teixeira conta que, como a maioria das crianças, o filho adora brincar e, se pudesse, passaria o dia inteiro envolvido em atividades lúdicas. Mas, apesar da disposição do pequeno, ela relata limitações enfrentadas pela família. “Moramos em uma casa sem área externa, porque vivemos na parte de cima da casa da minha sogra. Por isso, o Murilo costuma brincar no quarto dele ou descer para a casa da avó. Lá tem um quintalzinho bem pequeno, com um pouco de terra, e ele adora brincar com pedrinhas e areia”, relata.

A cidade como território de infância

O direito de brincar está diretamente ligado ao acesso à cidade. Em reportagem do Brasil de Fato, publicada em outubro de 2025, a psicóloga clínica e psicoterapeuta infantojuvenil Deyseane Lima aponta que praças, parques e quadras são “territórios de infância”, fundamentais para garantir direitos básicos das crianças. Esses espaços favorecem o encontro, a diversidade de vivências e o aprendizado fora dos ambientes formais.

“Ocupar a praça ou o parque ajuda a criança a entender que aquele lugar também é dela”, afirma Lima. Para a especialista, essa apropriação do espaço urbano contribui para a construção da cidadania desde cedo.

Programação cultural para crianças em Fortaleza

Fortaleza conta com equipamentos públicos que mantêm programação infantil regular, especialmente durante as férias. A Biblioteca Estadual do Ceará (Bece), a Estação das Artes e a Pinacoteca do Ceará, no Centro da cidade, promovem contações de histórias, oficinas, espetáculos e exposições voltadas ao público infantil, ampliando o repertório cultural das crianças. As programações podem ser acompanhadas pelos perfis @bece_bibliotecaestadualdoceara, @estacaodasartes.ce e @pinacotecadoceara.

Os parques urbanos também cumprem papel central. O Parque Dom Aloísio Lorscheider, no Itaperi, e o Parque Raquel de Queiroz, no Presidente Kennedy, oferecem áreas verdes, brinquedos e espaços para atividades ao ar livre, possibilitando o brincar livre e o convívio entre crianças de diferentes territórios da cidade.

Ciência como brincadeira

Outro destaque é a Seara da Ciência da UFC, localizada no Campus do Pici. O espaço é referência em divulgação científica e oferece programação voltada para crianças e famílias, com linguagem acessível e interativa.

A Seara abriga um museu interativo, onde “é proibido não tocar”, com experimentos de Física, Química, Biologia e Astronomia. Também promove observações astronômicas, feiras, oficinas e atividades itinerantes que integram ciência, arte e ludicidade. A programação pode ser acompanhada no perfil do Instagram @searadaciencia.

Entre desafios e escolhas

Apesar das possibilidades, muitas famílias ainda enfrentam obstáculos para ocupar esses espaços, como custos de deslocamento e o medo relacionado à segurança. Ainda assim, especialistas reforçam a importância de investir tempo em estar com as crianças fora de casa. “Tirar as crianças das telas e colocá-las em contato com outras pessoas e com a cidade é um investimento em saúde, afeto e desenvolvimento”, destaca Deyseane Lima.

Ao ocupar praças, parques e equipamentos culturais, famílias contribuem para uma cidade mais viva e para uma infância mais plena. As férias podem ser, assim, um convite para redescobrir Fortaleza com as crianças e transformar o cotidiano em experiência, brincadeira e aprendizado.

Editado por: Lívio Pereira

|

Newsletter